No dia 29 de outubro de 2024, um ataque israelense contra um edifício residencial na cidade de Beit Lahiya, localizada no norte da Faixa de Gaza, resultou na morte de pelo menos 60 palestinos e em ferimentos a dezenas de outros, segundo informações do Ministério da Saúde palestino. O ataque gerou uma reação internacional em meio à aprovação, por parte do Parlamento israelense, de uma lei que proíbe a atuação da principal agência de ajuda da Organização das Nações Unidas (ONU) na região.
Marwan Al Hams, uma autoridade vinculada ao ministério controlado pelo Hamas, informou que 17 pessoas estão desaparecidas, com expectativa de que sejam contabilizadas entre os mortos. Além disso, 150 pessoas foram feridas, incluindo 20 crianças que constam entre as vítimas fatais, conforme relatos médicos.
Imagens analisadas por agências de notícias mostram corpos cobertos por lençóis em frente a um prédio de quatro andares. Sobreviventes e equipes de resgate trabalharam nos escombros em busca de mais vítimas. Uma testemunha, identificada como Ismaïl Ouaïda, relatou: “Há dezenas de mártires. A casa foi bombardeada sem aviso prévio. Como podem ver, há mártires por toda parte, com pedaços de corpos presos às paredes”.
As autoridades israelenses ainda não se pronunciaram sobre o ataque.
Proibição da ONU em Israel
Na mesma data, o Parlamento de Israel aprovou uma lei que proíbe a operação da Agência da ONU para Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA) em Israel e em Jerusalém Oriental. A medida foi aprovada apesar das objeções do governo dos Estados Unidos e dos alertas do Conselho de Segurança da ONU. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a lei pode causar “consequências devastadoras” e comprometer o trabalho essencial da UNRWA, enquanto Philippe Lazzarini, chefe da agência, advertiu que a votação estabelece um “precedente perigoso”.
Israel mantém controle rigoroso sobre a ajuda humanitária destinada a Gaza, e os legisladores também aprovaram uma medida que impede autoridades israelenses de colaborar com a UNRWA e seus funcionários. Esta agência fornece assistência humanitária, educação e serviços de saúde aos palestinos há mais de 70 anos.
Preocupações foram levantadas por alguns aliados ocidentais de Israel. O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, expressou “muita preocupação” com a decisão, e a Alemanha ressaltou que a lei “torna impossível” o trabalho da UNRWA na Faixa de Gaza e na Cisjordânia.
Conflitos em Gaza e Líbano
Os desdobramentos ocorrem em meio a um clima de violência persistente em Gaza e no Líbano, onde uma nova frente de combate foi aberta. O chefe de inteligência do Mossad, David Barnea, encontrou-se com mediadores dos EUA e do Catar em Doha para discutir um possível acordo para a libertação de israelenses sequestrados desde o ataque de 7 de outubro de 2023.
Nos últimos dias, a possibilidade de um cessar-fogo tem sido debatida, embora os ataques continuem. No Líbano, relatos indicam que pelo menos 60 pessoas foram mortas em ataques israelenses no Vale do Bekaa. O grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, afirmou ter emboscado e enfrentado tropas israelenses na fronteira sul.
Em Gaza, os ataques aéreos e terrestres israelenses persistem, com o cerco resultando em aproximadamente 100 mil pessoas sem acesso a água e alimentos por um período de 22 dias. Desde o ataque de 7 de outubro, 1.206 pessoas foram mortas em Israel, enquanto a ofensiva de retaliação resultou na morte de pelo menos 43.020 palestinos, a maioria civis, segundo dados do Ministério da Saúde administrado pelo Hamas, reconhecidos como confiáveis pela ONU.
Novo líder do Hezbollah
Na terça-feira, 29 de outubro, o movimento xiita libanês Hezbollah anunciou a nomeação de Naïm Qassem como seu novo secretário-geral, sucedendo Hassan Nasrallah, que foi assassinado em 27 de setembro em um ataque israelense em Beirute. Qassem, que ocupa cargos no Hezbollah desde 1991, assumirá a liderança em um momento de crescente tensão na região.
Em seus pronunciamentos recentes, Qassem manifestou apoio aos esforços para um cessar-fogo no Líbano, refletindo a posição do grupo em meio a um cenário de hostilidades.
Israel proíbe atividades da Agência da ONU para refugiados palestinos
Na segunda-feira (28/10/2024), o Parlamento israelense, conhecido como Knesset, aprovou um projeto de lei que proíbe as atividades da Agência da ONU para Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (Unrwa) em Israel. A proposta foi aprovada com 92 votos a favor e 10 contra, demonstrando um apoio considerável entre os membros do legislativo. A medida abrange todas as áreas do país, incluindo Jerusalém Oriental, que foi ocupada e anexada por Israel em 1967.
As relações entre Israel e a Unrwa se deterioraram significativamente desde o início do conflito na Faixa de Gaza, em 7 de outubro de 2023, quando o grupo Hamas lançou um ataque contra Israel. O governo israelense tem acusado a Unrwa de permitir a infiltração de elementos terroristas em suas operações e de ser conivente com o Hamas. O deputado Yuli Edelstein, responsável por apresentar o projeto de lei, enfatizou que existe uma ligação entre a Unrwa e o Hamas, afirmando que Israel não pode aceitar tal relação.
Reações da comunidade internacional
A aprovação do projeto gerou reações adversas entre os aliados ocidentais de Israel. O porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Matthew Miller, expressou preocupação com a proposta, ressaltando a necessidade de o governo israelense reconsiderar sua posição. Em discurso no Parlamento britânico, o chefe da diplomacia do Reino Unido, David Lammy, também criticou a decisão do Knesset, considerando-a lamentável. Lammy acrescentou que as alegações contra os funcionários da Unrwa foram submetidas a investigações minuciosas e não justificam o rompimento das relações.
Em resposta à aprovação da lei, o Conselho de Segurança da ONU emitiu um alerta em 10 de outubro, enfatizando a necessidade de manter as operações da Unrwa, um dia após um aviso similar do secretário-geral da ONU, António Guterres. O Conselho de Segurança programou uma reunião para discutir a situação no Oriente Médio, após um pedido do Irã. O presidente egípcio também propôs uma trégua de dois dias na Faixa de Gaza, com o objetivo de facilitar a libertação de reféns detidos no território palestino.
Implicações da lei
A proibição das atividades da Unrwa tem implicações significativas para a assistência humanitária na região. A agência tem atuado há mais de 70 anos, oferecendo serviços essenciais a milhões de refugiados palestinos. A medida poderá comprometer ainda mais a já delicada situação humanitária na Faixa de Gaza, onde as condições de vida se deterioraram substancialmente devido ao conflito.
Com o aumento das tensões e das hostilidades, a situação no Oriente Médio continua a ser uma preocupação central para a comunidade internacional, que busca maneiras de mediar um cessar-fogo e restabelecer a assistência humanitária.
*Com informações da RFI.










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