A cidade de Genebra acolheu, até quarta-feira (02/10/2024), uma conferência global que celebra a última década da Reunião de Alto Nível sobre Política Nacional de Seca. O evento, organizado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), reúne especialistas, políticos e profissionais para discutir os desafios impostos pela seca, um fenômeno que se intensifica em várias regiões do mundo. Para os organizadores, esta ocasião representa uma oportunidade para a troca de conhecimentos e para dar impulso à 16ª sessão da Conferência das Partes da Convenção da ONU para o Combate à Desertificação (UNCCD), que ocorrerá em dezembro em Riad, na Arábia Saudita.
A vice-secretária executiva da UNCCD, Andrea Meza, ressaltou a importância de reconhecer a dependência das economias saudáveis em relação às terras saudáveis. Meza enfatizou que é urgente considerar a terra e os sistemas naturais como aliados na resposta às mudanças climáticas e à seca. Ela defende que a gestão integrada e proativa dos recursos naturais deve ser uma prioridade para enfrentar esses desafios.
A Conferência de Resiliência à Seca +10 ocorre em um momento crítico, em que os riscos de seca estão em ascensão globalmente. Este fenômeno, que é frequentemente associado a um número elevado de mortes, recebe atenção insuficiente, conforme alerta a OMM. Durante o evento, os participantes buscam promover sistemas de gestão mais integrados e estimular a vontade política necessária para a criação e implementação de medidas eficazes. Além disso, a conferência aborda a construção de resiliência e a ampliação dos sistemas de alerta.
Os organizadores destacam a conferência como uma oportunidade para refletir sobre os avanços alcançados na última década em relação à preparação, resposta e adaptação à seca. Um dos objetivos é explorar formas de converter o conhecimento disponível em soluções práticas que ajudem os países a se tornarem mais resilientes. A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, classificou a seca como um “risco climático astuto e perigoso” que compromete a segurança alimentar e é uma das principais causas de deslocamento interno em nações afetadas.
Saulo sublinha que os impactos da seca podem ser devastadores para o meio ambiente e para as economias, podendo reverter progressos em direção ao desenvolvimento sustentável. A secretária-geral defende a adoção de soluções sustentáveis, fundamentadas em conhecimento científico, que promovam práticas e políticas integradas para a gestão da seca.
Embora haja conhecimento e ferramentas disponíveis para enfrentar a seca, a secretária-geral destaca a falta de vontade política e de investimento financeiro como barreiras para a construção de sociedades mais resilientes. Entre os temas centrais da conferência estão os riscos crescentes relacionados à seca, impulsionados pelas mudanças climáticas e pelas vulnerabilidades estruturais em diversas sociedades.
O evento busca mudar a abordagem de uma reação impulsionada pela crise para uma postura proativa que alavanque serviços climáticos, incluindo previsões sazonais e mecanismos inovadores de fundos. A conferência também discute avanços no monitoramento e na previsão da seca, além de estratégias para integrar políticas de segurança alimentar e saúde nas iniciativas internacionais relacionadas ao tema. Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, as mudanças climáticas intensificam o ciclo da água, resultando em chuvas mais fortes e inundações, bem como secas severas em várias regiões.
*Com informações da ONU News.










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