Delegações indígenas brasileiras na Europa denunciam desmatamento e violência

Duas delegações do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) estão na Europa, participando de eventos que visam discutir e denunciar a situação dos povos indígenas no Brasil. Uma das delegações participa da terceira caravana pela ecologia integral, uma iniciativa promovida pela rede Igrejas e Minorias, enquanto a outra se encontra em Genebra para acompanhar os debates do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas. Em Paris, os participantes dos dois grupos se reuniram em um encontro com associações locais no dia 30 de setembro para apresentar seus objetivos e compartilhar experiências sobre a realidade dos povos indígenas.

A presença de representantes indígenas no cenário internacional se intensificou após a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em janeiro de 2023. Em sua cerimônia de posse, Lula foi acompanhado por líderes indígenas, incluindo o cacique Raoni Metuktire, do povo Kayapó, o que gerou expectativas sobre um tratamento mais cuidadoso das questões indígenas, especialmente após um período de intensas violações de direitos durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, os indígenas que estão na Europa denunciam que a realidade de descaso, assassinatos e desmatamento persiste, exigindo atenção internacional.

O encontro em Paris teve como mediador Gláuber Sezerino, do Crid, uma rede de organizações de solidariedade internacional, e co-presidente da associação Autres Brésils. A caravana pela ecologia integral foca no questionamento das tradições e da transição energética, discutindo as consequências dessas mudanças para os territórios indígenas, com referências específicas a casos na América Latina. A delegação do CIMI, presente em Genebra, tem como principal objetivo denunciar a violência enfrentada pelos povos indígenas na luta por seus direitos territoriais.

Os participantes do encontro em Paris incluíram figuras proeminentes, como Simão Kaiowá, que expressou a preocupação com a valorização do agronegócio em detrimento dos direitos indígenas. Ele relatou a situação no Mato Grosso do Sul, onde um projeto de ferrovia atravessará 24 territórios indígenas, enfatizando que as leis são elaboradas com base em interesses econômicos, frequentemente à custa da vida dos povos originários. Simão, que carrega uma bala alojada perto do coração devido a um atentado, pediu apoio internacional para que suas denúncias cheguem à ONU.

Outro depoimento foi de Ytaxaha Braz Pankararu, que relatou a desterritorialização de seu povo em decorrência de projetos de desenvolvimento, como a construção de hidrelétricas. Ytaxaha explicou que a situação de seu povo é agravada por conflitos territoriais relacionados à monocultura e a grandes fazendas que cercam suas áreas tradicionais. Ele destacou que a mineração também afeta significativamente a região do Vale do Jequitinhonha, que abriga uma cobiçada reserva de lítio.

Railson Guajajara, representante do Maranhão, abordou o tema do desmatamento na Amazônia, apontando que a floresta está desaparecendo rapidamente. Ele destacou que essa devastação tem como uma de suas consequências a escassez de água, que impacta diretamente o povo Guajajara e outras comunidades isoladas. Railson criticou a falta de ações efetivas por parte de países desenvolvidos, que gastam enormes quantias em cúpulas sobre mudanças climáticas, sem proporcionar soluções concretas para os problemas enfrentados pelas comunidades indígenas e pelo meio ambiente.

As delegações do CIMI também incluem o antropólogo indigenista Christian Crevels, Matias Benno Rempel, coordenador do Cimi no Mato Grosso do Sul, e o jornalista Renato Santana, que apoiam a causa e a visibilidade das demandas dos povos indígenas no cenário internacional.

*Com informações da RFI.


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