Na audiência pública realizada na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, o ex-embaixador Celso Amorim, atualmente assessor especial da Presidência da República, destacou a necessidade de que a solução para o processo eleitoral na Venezuela seja definida pelos próprios venezuelanos.
“Estamos acompanhando de perto esse processo político, mas a solução precisa ser construída pelos próprios venezuelanos, por meio do diálogo, e não imposta de fora”, afirmou Amorim. Ele enfatizou que a resolução do conflito requer um entendimento mútuo entre os cidadãos do país vizinho.
Amorim mencionou a extensão da fronteira de 2.000 km entre Brasil e Venezuela e a importância de cooperar em áreas como combate à criminalidade internacional, proteção de povos indígenas e preservação da Floresta Amazônica. O assessor também se manifestou sobre a falta de diálogo entre o presidente Luiz Inácio da Silva e o presidente venezuelano Nicolás Maduro desde as eleições. Segundo Amorim, o presidente Lula não estabeleceu comunicação com Maduro devido à ausência de sinais de abertura para um diálogo franco.
O assessor abordou ainda a posição do Brasil em relação às sanções impostas pela comunidade internacional à Venezuela, enfatizando que essas medidas se mostraram ineficazes e penalizam a população local. Em resposta a questionamentos do deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) sobre a classificação do governo venezuelano, Amorim expressou sua oposição à rotulação de países como ditaduras ou democracias. Ele observou que a ausência de apoio oficial do Brasil à autodeclaração de vitória de Maduro nas eleições recentes reflete um “mal-estar” nas relações bilaterais.
O deputado Lucas Redecker (PSDB-RS) questionou Amorim sobre os esforços do governo brasileiro para recuperar a dívida de US$ 5 bilhões devidos pela Venezuela. O ex-chanceler discordou do valor mencionado, afirmando que o montante correto, conforme estimativas do Ministério da Fazenda, seria de US$ 1,28 bilhão em parcelas atrasadas e US$ 400 milhões em juros. Amorim destacou a importância do restabelecimento do diálogo com a Venezuela para facilitar a recuperação dessa dívida. Ele também lembrou que, em 2012, a Venezuela ocupava a terceira posição entre os países com superávit comercial em relação ao Brasil, perdendo apenas para China e Países Baixos.
Amorim finalizou a audiência informando que uma mesa de negociações bilaterais foi instalada em julho deste ano com o intuito de discutir a dívida e outros temas pertinentes à relação entre os dois países.
*Com informações da Agência Câmara de Notícias.








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