Irmã brasileira Rosita Milesi recebe Prêmio Nansen da ONU por trabalho com refugiados e deslocados

A irmã Rosita Milesi, advogada e diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos, foi reconhecida pela ONU por seu trabalho em prol de refugiados e deslocados no Brasil.
A irmã Rosita Milesi, advogada e diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos, foi reconhecida pela ONU por seu trabalho em prol de refugiados e deslocados no Brasil.

A irmã Rosita Milesi, religiosa católica brasileira, foi agraciada com o prêmio Nansen, concedido pela Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), em cerimônia realizada na quarta-feira (09/10/2024). Este prêmio reconhece o trabalho de indivíduos que se destacam na defesa dos direitos dos deslocados e refugiados. Rosita Milesi, de 79 anos, atua como advogada e é diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), localizado em Brasília.

A religiosa tem se dedicado, ao longo de mais de 40 anos, a auxiliar milhares de pessoas na obtenção de documentos administrativos, abrigo e acesso ao mercado de trabalho no Brasil. A ACNUR destacou suas contribuições significativas ao anunciar a laureação. Nascida em uma família humilde em Farroupilha, no interior do Rio Grande do Sul, a irmã Rosita é bisneta de imigrantes italianos. Em suas declarações, afirmou que decidiu dedicar sua vida aos migrantes e refugiados, motivada pela crescente necessidade de acolher e integrar essas populações. “Não tenho medo de agir, mesmo que não consigamos tudo o que queremos”, declarou.

A irmã Rosita fundou o IMDH em 1999, durante um período em que o Brasil recebia um grande fluxo de refugiados angolanos, fugindo da guerra civil que perdurou até 2002. A instituição atua no atendimento jurídico e social, no acolhimento humanitário e na integração social e no mercado de trabalho de migrantes, requerentes de asilo, refugiados e apátridas, com foco nas pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

Além da brasileira, quatro outras representantes regionais também foram premiadas. Filippo Grandi, Alto Comissário da ONU para os Refugiados, ressaltou a importância do papel das mulheres em contextos de crise, afirmando que, embora enfrentem riscos elevados de discriminação e violência, elas têm se mostrado essenciais na resposta humanitária. As laureadas regionais incluem Maimouna Ba, do Burkina Faso, Jin Davod, da Síria, Nada Fadol, do Sudão, e Deepti Gurung, do Nepal. O povo moldavo recebeu uma menção honrosa por seus esforços coletivos em acolher mais de um milhão de pessoas que fugiram da guerra na Ucrânia. A cerimônia de entrega dos prêmios ocorrerá em Genebra, no dia 14 de outubro.

O Prêmio Nansen foi criado em 1954 e é dotado de US$ 100 mil. O nome do prêmio é uma homenagem ao explorador polar norueguês Fridtjof Nansen, que venceu o Prêmio Nobel da Paz em 1922. Nansen foi o primeiro alto comissário para os refugiados da Sociedade das Nações, precursora da Organização das Nações Unidas (ONU).

*Com informações da Sputnik News.


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