A Secretaria Nacional de Hidrovias e Navegação, vinculada ao Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), comunicou que não está prevista a dragagem para aprofundamento do trecho do Rio Paraguai, conhecido como Tramo Norte, que abrange a área entre as cidades de Cáceres, no Mato Grosso, e Corumbá, em Mato Grosso do Sul. Essa declaração foi feita durante uma reunião com cientistas e especialistas do Bioma Pantanal. O secretário de Hidrovias, Dino Antunes, assegurou que as preocupações apresentadas por pesquisadores e ambientalistas foram consideradas, mas não justificaram a inclusão de dragagens no projeto atual de hidrovia.
O secretário enfatizou a importância de um sistema de transporte sustentável e ressaltou que o conhecimento sobre os projetos em desenvolvimento e seus impactos ambientais é crucial para a tomada de decisões. “Não faz sentido bloquear qualquer solução de hidrovia sem o conhecimento dos projetos e de seus impactos ambientais”, afirmou Antunes. Durante a reunião, ele também propôs a realização de encontros periódicos com o grupo de pesquisadores para discutir o andamento dos projetos relacionados às hidrovias.
Participaram da reunião a diretora de Sustentabilidade do MPor, Larissa Amorim, e a pesquisadora da Embrapa, Débora Fernandes Calheiros, que também atua como assessora do Ministério Público Federal em Corumbá. A pesquisadora é uma das signatárias da Carta Aberta enviada aos governos federal e estaduais do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, expressando a preocupação sobre as potenciais consequências ecológicas das dragagens.
Dino Antunes esclareceu que o trecho de 680 quilômetros entre Cáceres e Corumbá será mantido para a utilização de embarcações de pequeno e médio porte. Essas embarcações não transportam grandes quantidades de carga, o que contribui para a preservação da planície de alagamento do Pantanal. O Tramo Norte é caracterizado pela presença de ilhas fluviais e apresenta uma profundidade que varia entre 1,80 e 3 metros, fatores que limitam a navegação de embarcações maiores.
A Carta Aberta, que motivou a reunião, expressou preocupações sobre os riscos ecológicos que dragagens mais intensas poderiam trazer para o Tramo Norte, considerado o “coração do Pantanal”. Essa região é reconhecida por abrigar amostras significativas da biodiversidade do bioma, além de conter áreas protegidas como a Estação Ecológica Taiamã e o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense.
Por outro lado, a pesquisadora Débora Calheiros ressaltou que o projeto para o Tramo Sul, que se estende por cerca de 600 quilômetros entre Corumbá e a foz do rio Apa, na fronteira com o Paraguai, não suscita preocupações significativas, pois essa área já é navegável por grandes comboios comerciais. Neste trecho, a profundidade varia entre 3 e 3,20 metros, o que possibilita a navegação de comboios com dimensões de 290 metros de comprimento e 48 metros de largura, com calado de 2,7 metros e capacidade para 24 mil toneladas. O trecho Sul requer apenas dragagem de manutenção para assegurar a navegabilidade ao longo do ano, evitando impactos ambientais relacionados a incidentes de navegação.
Atualmente, a hidrovia do Rio Paraguai transporta aproximadamente 8 milhões de toneladas de carga anualmente, sendo 75% desse total composto por minério de ferro e 20% por soja. O transporte rodoviário deste volume exigiria cerca de 200 mil caminhões, tendo como destino o porto mais próximo, localizado a 1.500 quilômetros.
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