Moldávia diz ‘sim’ para adesão à União Europeia enquanto Kremlin condena ‘anomalias’ nas eleições

Maia Sandu, presidente da Moldávia.
Maia Sandu, presidente da Moldávia.

A Moldávia viveu um momento decisivo na noite de domingo para segunda-feira (21/10/2024), com a realização de um referendo sobre a adesão do país à União Europeia. Inicialmente, o voto “não” dominou as contagens, mas ao final, 50,45% dos eleitores manifestaram apoio à emenda constitucional que visa a integração europeia. A votação resultou em uma diferença estreita de alguns milhares de votos, refletindo a polarização da opinião pública em relação ao tema.

Os apoiadores da presidente Maia Sandu, que completou 52 anos, voltaram para suas casas na noite do domingo acreditando na derrota. O clima no gabinete da presidente era de desânimo, mas a esperança de que os votos da diáspora pudessem alterar a tendência se concretizou com o desfecho da contagem. A vitória do “sim”, com 50,4% dos votos, permanece aquém das expectativas, uma vez que as pesquisas de opinião anteriores indicavam um suporte de 55%.

A mobilização dos defensores da adesão europeia pode ter sido comprometida por uma subavaliação do temor de uma aproximação mais direta com o Ocidente. A população moldava demonstra um desejo de se manter em uma posição equidistante entre as influências europeias e russas, o que pode ter contribuído para o resultado apertado.

O ex-ministro das Relações Exteriores da Moldávia, Nicu Popescu, manifestou otimismo em relação à vitória, afirmando que, mesmo sendo apertada, essa decisão deve ser respeitada em uma democracia. Ele ressaltou que a Moldávia continuará a buscar seu lugar na Europa, comparando o resultado do referendo a outros eventos históricos de integração europeia, como o Brexit e as adesões da Suécia e Malta.

O referendo culmina em uma alteração constitucional que consagra o objetivo de adesão à UE, mas ao mesmo tempo, deixa a presidente Maia Sandu em uma posição vulnerável, à medida que se aproxima o segundo turno das eleições presidenciais, após uma primeira votação que a posicionou com 42% dos votos. Seu principal oponente, o ex-promotor Alexander Stoianoglo, que obteve 26%, pode capitalizar uma transferência de votos em seu favor na segunda rodada.

Durante o referendo, as eleições presidenciais também estavam em andamento, evidenciando a complexidade da situação política. Stoianoglo, que foi destituído por Maia Sandu sob alegações de corrupção, busca apoio entre os candidatos que defendem vínculos com a Rússia, enquanto a presidente pode não contar com a mesma mobilização de eleitores. As consequências do referendo também poderão impactar as eleições parlamentares do próximo ano, em um cenário desfavorável para o partido de Sandu.

Em resposta ao referendo, o Kremlin condenou as supostas “anomalias” na contagem de votos, solicitando evidências das alegações de Maia Sandu sobre interferências externas. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, questionou a legitimidade do aumento dos votos a favor da adesão à UE, sugerindo que a situação carece de transparência. Ele criticou a condução do processo eleitoral na Moldávia, defendendo que há um descontentamento significativo com a atual administração moldava.

Peskov ainda instou Sandu a apresentar publicamente provas sobre suas acusações de manipulação eleitoral, enfatizando a necessidade de um debate livre e justo.

*Com informações da RFI.


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