Nesta terça-feira (29/10/2024), o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) reuniu-se para discutir a situação no Oriente Médio, em meio a relatos de um novo ataque mortal em Gaza. O coordenador especial da ONU para o Processo de Paz na região, Tor Wennesland, informou aos membros do Conselho que a situação na região encontra-se na “conjuntura mais perigosa em décadas”.
O ataque em Beit Lahiya, ocorrido na segunda-feira, resultou no desaparecimento ou morte de 93 palestinos, incluindo 25 crianças, conforme os dados do Ministério da Saúde de Gaza. Relatos de agências de notícias indicam que a ofensiva israelense atingiu um edifício de cinco andares que abrigava palestinos deslocados no norte de Gaza, com a expectativa de que várias pessoas estejam presas sob os escombros.
Wennesland caracterizou o ataque como “mais um de uma série mortal de recentes episódios com vítimas em massa no norte de Gaza”. O representante da ONU ressaltou que a violência no Território Palestino Ocupado e em toda a região não apresenta sinais de diminuição. Desde outubro de 2023, mais de 42 mil palestinos e 1,6 mil israelenses perderam a vida em decorrência do conflito.
Na semana passada, Wennesland esteve em Gaza e descreveu o nível de destruição como “desafiador à imaginação”. Ele observou a devastação no sul da região, reportando a destruição de edifícios residenciais, estradas, hospitais e escolas. O coordenador especial constatou a presença de milhares de pessoas vivendo em tendas improvisadas, sem abrigo adequado à medida que o inverno se aproxima. Ele considerou essa situação não apenas como um “terrível pesadelo humanitário”, mas também como um “rápido e acelerado desmoronamento das perspectivas de uma resolução sustentável para este conflito”.
Wennesland expressou preocupação com os eventos que estão comprometendo os princípios fundamentais do processo de paz, o que pode ter implicações nos próximos anos. Isso inclui a tentativa de Israel de desmantelar a Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos.
O Escritório de Direitos Humanos da ONU manifestou horror em relação ao ataque em Beit Lahiya, que afetou crianças, mulheres e idosos. O porta-voz do órgão, Jeremy Laurance, afirmou que este ataque foi um dos mais mortais registrados em Gaza nos últimos três meses. Ele exigiu uma investigação “rápida, transparente e detalhada” sobre as circunstâncias do ataque e sobre as responsabilidades envolvidas.
Laurance destacou a necessidade de Israel permitir o acesso de serviços de resgate de emergência às áreas afetadas no norte de Gaza. A nota do Escritório de Direitos Humanos revelou que, em algumas situações, as equipes de resgate foram atacadas enquanto tentavam alcançar os feridos.
*Com informações da ONU News.










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