O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, comunicou ao governo dos Estados Unidos, sob a liderança do presidente Joe Biden, que está preparado para realizar ataques a instalações militares do Irã. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (14/10/2024) pelo jornal The Washington Post, que cita fontes com conhecimento sobre as discussões entre os líderes.
Durante a conversa, que ocorreu pela primeira vez em mais de sete semanas, Netanyahu especificou que os possíveis ataques se direcionariam a infraestrutura militar iraniana, excluindo instalações nucleares e petrolíferas. Fontes anônimas, citadas pela publicação, afirmaram que as deliberações entre os dois líderes foram tratadas com sigilo, dada a delicadeza da situação.
Em um contexto mais amplo, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, mencionou que a Rússia está analisando informações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Lavrov ressaltou que a AIEA não identificou evidências de que o Irã estaria transferindo seu programa de energia nuclear para fins militares. Ele ainda alertou que um ataque às instalações nucleares do Irã seria considerado uma séria provocação.
A tensão no Oriente Médio permanece elevada, especialmente após o lançamento de mísseis de longo alcance pelo Irã em resposta a ações militares de Israel em Líbano e na Faixa de Gaza, que resultaram na morte de líderes do Hamas e do Hezbollah, incluindo um ataque em território iraniano. Em resposta a essas tensões, o Pentágono anunciou o envio de mais tropas dos Estados Unidos a Israel e um avançado sistema antimísseis, enquanto as autoridades israelenses avaliam as possíveis retaliações contra o Irã.
O Exército israelense, desde o início de suas operações terrestres próximas à fronteira, relatou a destruição de uma quantidade significativa de túneis, lançadores de foguetes e postos de comando do Hezbollah.
Resposta de Israel a ataque iraniano se baseará em “interesse nacional”, diz Netanyahu
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta terça-feira (15) que sua resposta ao ataque iraniano ocorrido em 1° de outubro será guiada pelo “interesse nacional” do país. Em declarações à imprensa, Netanyahu mencionou que considerou as recomendações do governo dos Estados Unidos. De acordo com fontes da imprensa americana, o primeiro-ministro garantiu à Casa Branca que qualquer retaliação se restringirá a instalações militares do Irã.
Israel, que se encontra em meio a um conflito com o grupo Hezbollah no Líbano e com o Hamas na Faixa de Gaza, está se preparando para uma resposta ao Irã. Netanyahu teria informado ao presidente Joe Biden, em uma conversa telefônica, sobre sua intenção de atacar forças iranianas. Segundo o jornal The Washington Post, essa abordagem foi bem recebida em Washington. No entanto, Biden alertou Netanyahu sobre a necessidade de evitar ataques a instalações nucleares ou petrolíferas do Irã, a fim de prevenir a escalada do conflito.
O Irã, por sua vez, reiterou sua disposição para se defender contra a retaliação israelense, que considera uma ação de um “inimigo”. O ataque iraniano de 1° de outubro, que resultou no lançamento de cerca de 200 mísseis contra Israel, foi uma resposta à morte do general Abbas Nilforoushan, ocorrida em um bombardeio israelense em Beirute, que também vitimou o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah.
Na mesma data, Netanyahu prometeu continuar os ataques contra o Hezbollah em diversas áreas do Líbano. Relatos indicam que forças israelenses realizaram novos ataques na região de Bekaa, resultando em um hospital inoperável em Baalbeck. Conflitos também foram registrados no sul do Líbano. Apesar da pressão dos ataques israelenses, o Hezbollah afirmou ter lançado foguetes em direção ao norte de Israel e estar enfrentando forças israelenses no sul do país.
Desde o início da escalada de violência, mais de 1.315 pessoas perderam a vida no Líbano, e cerca de 700 mil foram deslocadas, conforme relatado pela ONU. Nesta terça-feira, as Nações Unidas pediram uma investigação “rápida, independente e profunda” sobre um bombardeio israelense na cidade de Aito, que resultou na morte de ao menos 22 pessoas.
Israel ataca norte do Líbano e mata ao menos 21 pessoas
Um ataque israelense ocorrido nesta segunda-feira (14) resultou na morte de ao menos 21 pessoas em uma localidade do norte do Líbano, conforme informado pela Cruz Vermelha local. O Ministério da Saúde do Líbano comunicou que as operações de resgate continuam em andamento. Este incidente marca o primeiro ataque à localidade de Aito, predominantemente cristã, desde o início da campanha militar israelense contra o Hezbollah, que teve início em 23 de setembro. Segundo a agência nacional libanesa de notícias ANI, o ataque teve como alvo um apartamento, e um fotógrafo da AFP reportou a presença de restos humanos em frente ao edifício, que foi completamente destruído. O Exército libanês cercou a área, onde um incêndio foi registrado.
Em um ataque anterior, também no norte de Beirute, 16 pessoas morreram em bombardeio israelense no sábado, segundo o Ministério da Saúde. Além disso, seis outras mortes ocorreram fora das áreas tradicionais do Hezbollah, incluindo duas vítimas em uma residência em Deir Bella, onde se abrigavam deslocados do sul do Líbano. Israel, após ter enfraquecido o Hamas em Gaza, tem concentrado suas operações no Líbano, visando permitir o retorno de aproximadamente 60 mil israelenses que foram deslocados por ataques de foguetes.
As operações israelenses desde 23 de setembro resultaram em mais de 1.300 mortes no Líbano, conforme contagem da AFP, e cerca de 700 mil deslocados, segundo a ONU. Em resposta, o Hezbollah anunciou que atacou uma base naval próxima a Haifa e um quartel em Netanya, ambos em Israel. O Exército israelense informou que interceptou projéteis provenientes do Líbano, além de drones que se aproximavam da Síria. O Hezbollah também afirmou ter atacado soldados israelenses em Marun al Ras e disparado obuses contra tropas israelenses em tentativa de infiltração na fronteira.
As tensões aumentaram após o ataque mais violento em Israel desde 23 de setembro, que resultou na morte de quatro soldados em um campo de treinamento. O comandante do Estado-Maior do Exército israelense, general Herzi Halevi, reconheceu que o ataque foi um golpe significativo. O Hezbollah alertou que suas ações são um aviso a Israel sobre as consequências de continuar suas agressões.
O Ministério da Saúde do Líbano denunciou que Israel tem atacado equipes médicas e de resgate, mencionando um bombardeio em Sidikkin, que deixou um morto. Além disso, os combates têm afetado a força de paz da ONU no sul do Líbano, a Unifil, que acusou Israel de disparos deliberados contra suas instalações. O Exército israelense alegou que um de seus tanques colidiu com um posto da Unifil durante uma operação.
As tensões entre Israel e Irã também se intensificaram, especialmente após o lançamento de quase 200 mísseis pelo Irã contra Israel em 1º de outubro, ação pela qual Israel prometeu resposta. Os Estados Unidos anunciaram o envio de um sistema de defesa antimísseis THAAD a Israel. Na Faixa de Gaza, o Exército israelense continuou suas operações, atingindo um centro de comando relacionado ao Hamas, resultando em múltiplas fatalidades.
Israel afirma que não permitirá o retorno do Hezbollah às áreas fronteiriças do sul do Líbano
O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, declarou no domingo (13) que o país não permitirá o retorno das forças do Hezbollah para as áreas fronteiriças no sul do Líbano, mesmo após a conclusão das operações terrestres do Exército israelense. Gallant afirmou que a região enfrenta grande destruição, com as localidades na linha de frente sendo tratadas como alvos militares, devido à presença de infraestrutura subterrânea e túneis.
Em um vídeo veiculado por canais de comunicação israelenses, o ministro destacou que as operações militares visam a destruição de alvos específicos, tanto na superfície quanto subterraneamente. Ele enfatizou que Israel está comprometido em impedir o retorno de membros do Hezbollah à região, declarando que o Exército está “destruindo tudo agora – alvo por alvo”.
Desde o início da operação terrestre em 1º de outubro, Israel intensificou os ataques contra o Hezbollah no sul do Líbano, resultando em um número crescente de fatalidades, que já ultrapassa 2.000, conforme reportado. Apesar das perdas significativas, o Hezbollah continua a resistir, engajando-se em confrontos diretos com as tropas israelenses e lançando foguetes em direção a Israel. A posição oficial do governo israelense é que o principal objetivo das operações é criar condições favoráveis para o retorno de aproximadamente 60.000 cidadãos israelenses que foram deslocados devido aos bombardeios no norte do país.
*Com informações da Sputnik News e RFI.










Deixe um comentário