O Senado Federal aprovou a indicação de Gabriel Galípolo para a presidência do Banco Central do Brasil. A votação ocorreu nesta terça-feira (08/10/2024), com um resultado de 66 votos favoráveis e 5 contrários. Galípolo assumirá o cargo em janeiro de 2025, sucedendo Roberto Campos Neto, cujo mandato se encerra em dezembro de 2024. A indicação foi feita pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e aprovada previamente na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, após quatro horas de sabatina.
Gabriel Galípolo, economista de 42 anos, é atualmente diretor de Política Monetária do Banco Central e já exerceu o cargo de secretário-executivo no Ministério da Fazenda, durante a gestão de Fernando Haddad. Ele possui graduação e mestrado em economia pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), além de experiência acadêmica e no setor privado, tendo presidido o Banco Fator entre 2017 e 2021.
Em sua sabatina, Galípolo destacou os avanços da economia brasileira desde a crise da hiperinflação nas décadas passadas, ressaltando a estabilidade monetária alcançada e o papel do Banco Central na garantia do bem-estar da população. Ele se comprometeu a manter a autonomia da instituição no cumprimento de suas funções, alinhado com as diretrizes estabelecidas pela atual legislação.
O processo de indicação gerou debate entre os senadores, com alguns parlamentares manifestando insatisfação em relação às altas taxas de juros aplicadas no país. O senador Marcelo Castro, por exemplo, votou contra a nomeação em protesto às políticas de juros praticadas pelos bancos públicos. Já o senador Eduardo Braga, apesar de votar a favor de Galípolo, cobrou ações concretas para a redução das taxas de juros nos cartões de crédito e no cheque especial.
A autonomia do Banco Central foi um tema central durante o processo de aprovação. Roberto Campos Neto, atual presidente, foi o primeiro a assumir a liderança da instituição após a promulgação da Lei Complementar 179 de 2021, que assegurou independência ao órgão. O mandato de quatro anos para presidente e diretores é uma das garantias dessa lei, que visa resguardar o Banco Central de interferências políticas diretas. Contudo, a autonomia da instituição vem sendo alvo de debates no Congresso. Atualmente, tramita na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei Complementar 19/2023, que propõe a revogação dessa autonomia.
O Banco Central do Brasil, criado em 1964, é responsável por executar a política monetária do país, controlar a inflação e garantir a estabilidade do sistema financeiro nacional. A instituição possui autonomia operacional, mas ainda há propostas em discussão no Senado que visam aumentar a independência financeira e orçamentária do Banco, transformando-o em uma empresa pública. A Proposta de Emenda à Constituição 65/2023, que trata dessa questão, está em análise na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.
*Com informações da Agência Senado.









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