Brasil apresenta metas climáticas na COP29, enfrentando ceticismo de ONGs e desafios na defesa de recursos naturais

Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, expõe novos compromissos climáticos do Brasil durante conferência da COP29, no Azerbaijão.
Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, expõe novos compromissos climáticos do Brasil durante conferência da COP29, no Azerbaijão.

Na 29ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP29), realizada em Baku, Azerbaijão, o Brasil divulgou seu novo plano climático, reforçando compromissos para mitigar as mudanças climáticas e intensificando sua diplomacia ambiental. Representando o país, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou uma meta de redução de emissões de gases de efeito estufa entre 59% e 67% até 2035, em relação aos níveis de 2005, como parte de sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) estabelecida no Acordo de Paris. A medida visa reduzir as emissões de carbono do Brasil para uma faixa entre 850 milhões e 1,05 bilhão de toneladas de CO₂, o que poderia, segundo projeções, colocar o país no caminho para a neutralidade de carbono até 2050.

Ao apresentar o plano, Marina Silva argumentou que o Brasil busca liderar pelo exemplo e inspirar compromissos climáticos ambiciosos de outros países, mesmo como nação em desenvolvimento. Ela destacou a meta de alcançar “desmatamento zero” até 2030 como um passo fundamental para o cumprimento das novas metas, mas recebeu críticas de organizações como o Observatório do Clima, que consideram o plano insuficiente para manter o aquecimento global dentro do limite de 1,5°C.

No entanto, o país enfrenta desafios internos e externos que pressionam sua política ambiental. Como principal produtor de petróleo da América Latina, com uma produção diária de cerca de 3,5 milhões de barris, o Brasil continua a explorar hidrocarbonetos enquanto tenta alinhar essa exploração com seus compromissos ambientais. Em declaração durante a conferência, a ministra Silva enfatizou a importância de utilizar recursos energéticos com moderação, respondendo à fala do presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, que se referiu aos hidrocarbonetos como “presentes de Deus”. Silva afirmou que os países precisam consumir esses recursos de forma responsável para garantir a sustentabilidade ambiental.

Paralelamente, as metas anunciadas pelo Brasil ocorrem em um cenário global complexo. Nos Estados Unidos, o governo de Joe Biden anunciou planos para triplicar a produção de energia nuclear até 2050, buscando garantir a continuidade da agenda climática independentemente de futuras administrações, incluindo a possível reeleição de Donald Trump, que mantém uma postura cética sobre a mudança climática. Durante a COP29, vários líderes internacionais alertaram sobre os desafios econômicos que impactam a viabilidade de metas ambientais ambiciosas, incluindo a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e o primeiro-ministro grego Kyriakos Mitsotakis, que argumentaram pela necessidade de realismo na transição energética.

Os debates da conferência ocorrem em um contexto de altas temperaturas globais, com 2023 sendo considerado o ano mais quente já registrado, segundo cientistas do Global Carbon Project. Relatório recente alerta que, para conter o aquecimento a 1,5°C, as emissões líquidas de CO₂ devem chegar a zero até o fim da década de 2030, uma meta mais ambiciosa do que o compromisso atual de muitos países de atingir a neutralidade até 2050.

Representando o Brasil, o vice-presidente Geraldo Alckmin participou da conferência, substituindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não pôde comparecer devido a uma queda recente. O Brasil será anfitrião da COP30, prevista para ocorrer em Belém no próximo ano, onde deverá apresentar avanços em suas políticas ambientais e tentar fortalecer a cooperação internacional para o enfrentamento das mudanças climáticas.

*Com informações da RFI.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.