O Brasil registrou uma redução de 12% nas emissões de gases do efeito estufa em 2023, de acordo com dados divulgados pelo Observatório do Clima. O país emitiu 2,3 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (GtCO2e), em comparação com 2,6 bilhões de toneladas no ano anterior. Esta diminuição, a maior desde 2009, foi impulsionada principalmente pela redução no desmatamento da Amazônia, que teve uma queda de 37%.
De acordo com o Observatório, as emissões associadas ao desmatamento na Amazônia caíram de 1,074 bilhão para 687 milhões de toneladas, refletindo o impacto das políticas voltadas ao combate ao desmatamento. No entanto, as emissões de outros biomas como o Cerrado, a Caatinga, a Mata Atlântica e o Pantanal registraram aumentos. O Cerrado teve um aumento de 23%, enquanto o Pantanal apresentou o maior aumento, com 86%. Em contraste, as emissões no Pampa diminuíram 15%, mas esse bioma representa uma pequena parcela das emissões totais.
David Tsai, coordenador do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), destaca que a redução nas emissões é um avanço, mas ressalta a dependência do Brasil em relação à Amazônia para o alcance das suas metas climáticas. Tsai também aponta que as políticas voltadas para outros setores são insuficientes, o que torna necessária uma revisão das políticas e a adoção de um plano de descarbonização mais amplo para o país.
Outro fator importante nas emissões brasileiras são as mudanças no uso da terra, que foram responsáveis por quase metade das emissões no país. A agropecuária, especialmente o aumento no rebanho bovino, continua a ser um dos principais contribuintes, representando 28% das emissões totais. O uso de fertilizantes e a fermentação entérica dos animais (responsável por uma parte significativa das emissões) também são fatores que devem ser mitigados, conforme destacado por especialistas.
No setor de energia, as emissões de dióxido de carbono equivalente aumentaram 1,1%, impulsionadas pelo consumo de combustíveis fósseis. Embora o Brasil tenha registrado uma redução nas emissões de termelétricas fósseis devido à maior geração hidrelétrica, a demanda crescente por combustíveis no transporte resultou em um aumento de 3,2% nas emissões do setor.
Além disso, as queimadas, tanto em pastagens quanto em vegetação nativa, mostraram reduções nas emissões de 38% e 7%, respectivamente, mas o risco de incêndios permanece elevado devido às mudanças climáticas, afetando a dinâmica das emissões em diferentes biomas.
Apesar dos avanços, especialistas apontam que o Brasil precisa de ações mais abrangentes para reduzir suas emissões de gases de efeito estufa, especialmente em relação a setores como a agropecuária, o uso da terra e o desmatamento fora da Amazônia, para alcançar as metas estabelecidas no Acordo de Paris.
*Com informações da Agência Brasil.








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