As comunidades do Recôncavo e Baixo Sul da Bahia têm se mobilizado para promover mudanças significativas na qualidade de vida de seus moradores, por meio da implementação de tecnologias sociais e do incentivo à realização de eventos culturais tradicionais. Um exemplo notável dessa mobilização é o Projeto Fogão do Mar, que tem beneficiado milhares de famílias ao substituir os fogões a lenha improvisados por modelos mais seguros e eficientes. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de três bilhões de pessoas ainda dependem de fogões a lenha no preparo de seus alimentos, sendo que muitas dessas pessoas são marisqueiras e pescadores, cuja atividade principal é o extrativismo.
Os fogões utilizados nessas comunidades, diferentes dos modernos modelos de chefs ou cozinheiros amadores, são, na maioria das vezes, improvisados e pouco eficientes. Além disso, esses fogaréus geram diversos impactos negativos, como a degradação ambiental e riscos à saúde pública, devido à emissão de gases e ao acúmulo de fuligem no ar. Essa realidade, embora desafiadora, tem motivado lideranças comunitárias a buscar soluções. Em parceria com o Instituto Perene, o Projeto Fogão do Mar foi criado, visando melhorar as condições de vida dessas populações e foi selecionado por meio do edital público do Programa Petrobras Socioambiental em 2018. A proposta inicial foi a instalação de fogões a lenha melhorados, beneficiando cerca de 2.800 famílias nos municípios de Cachoeira e Maragogipe, além de transferir tecnologias e formar agentes comunitários locais.
Em 2024, o projeto foi renovado pelo Programa Petrobras Socioambiental, com a previsão de novas ações até 2028. Além de mais 1.200 fogões ecoeficientes, a segunda fase inclui a implementação de dez unidades de biodigestores para o tratamento de esgoto domiciliar e produção de biofertilizantes, assim como o apoio a eventos culturais. A área de atuação do projeto se expandirá para os municípios de Salinas da Margarida, Valença e Cairu, e uma nova iniciativa será a recuperação de nascentes na Bacia Hidrográfica do Rio Paraguaçu, com foco na restauração de ecossistemas da Mata Atlântica.
Atanildes Matos, representante da Associação Quilombola Enseada do Paraguaçu e uma das agentes comunitárias do projeto, destaca a importância da renovação do projeto:
“O projeto está voltando num momento muito bom, porque o gás de cozinha está muito caro. Estamos nos sentindo muito incluídos. Geralmente as decisões chegam de cima para baixo e neste projeto podemos participar, indicando as pessoas da comunidade que realmente precisam da tecnologia”, comentou.
Os fogões convencionais a lenha, ou fogaréus, são conhecidos por sua baixa eficiência e alto impacto ambiental. O modelo ecoeficiente, por sua vez, utiliza técnicas avançadas de combustão que reduzem significativamente a emissão de poluentes. Além disso, esses fogões trazem benefícios imediatos para as famílias, como a diminuição do tempo de cozimento, a redução da fuligem nas panelas e a melhoria da qualidade do ar nas residências. Do ponto de vista ambiental, a nova tecnologia contribui para a preservação das matas e restingas, ao utilizar gravetos em vez de lenha, o que ajuda a diminuir a pressão sobre os recursos naturais. A adoção do fogão ecoeficiente também facilita a coleta de lenha, proporcionando mais tempo livre para outras atividades.
Adicionalmente, o projeto tem incentivado a formação de mão de obra local, o que fortalece a economia das comunidades envolvidas, criando novas oportunidades de trabalho e desenvolvimento. A iniciativa, que alia sustentabilidade e inclusão social, mostra como a tecnologia pode ser uma ferramenta eficaz na transformação da vida das populações rurais, ao mesmo tempo em que respeita as tradições culturais e promove o fortalecimento do tecido social.
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