Após dois anos de impasse, o G20, sob a presidência do Brasil, conseguiu alcançar um consenso significativo em sua reunião no Rio de Janeiro, realizada na segunda-feira (18/11/2024). A declaração final do encontro, considerada uma importante vitória da diplomacia brasileira, foi assinada por países com posições geopolíticas diversas, incluindo os Estados Unidos, Rússia, China, Argentina e Alemanha. Os 85 pontos que compõem o documento são vistos como uma demonstração do compromisso do grupo com o multilateralismo, um princípio de cooperação entre nações para a promoção de interesses comuns, em contraposição ao unilateralismo e bilateralismo.
De acordo com o especialista em geopolítica Ronaldo Carmona, do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), o fato de ter sido possível elaborar uma declaração unificada em um momento de polarização global é um marco. Ele destacou que o G20 é um dos poucos espaços onde os dois blocos dominantes no sistema internacional, o G7 com a OTAN e o grupo dos países emergentes, principalmente China, Rússia e Índia, podem dialogar de forma direta. Carmona também ressaltou a relevância dessa conquista, especialmente considerando as atuais tensões em torno da guerra na Ucrânia e a crescente radicalização das relações internacionais.
A reunião também evidenciou um esforço coletivo para reafirmar a importância do multilateralismo. O professor Roberto Goulart Menezes, da Universidade de Brasília (UnB), comentou que a posição do presidente argentino, Javier Milei, foi crucial para o sucesso da declaração. Segundo o especialista, a pressão para que a Argentina se alinhasse ao grupo do G20 e não ficasse isolada foi forte, e isso contribuiu para o acordo final. Além disso, Menezes destacou que o Brasil conseguiu inserir questões como o combate à pobreza e à fome na agenda do G20, algo que reforça a sua posição no cenário internacional.
Embora a declaração do G20 não tenha caráter vinculativo, ou seja, os países não são obrigados a cumprir o que foi acordado, especialistas apontam que os resultados concretos podem ser observados, principalmente em iniciativas como a Aliança contra a Fome e Pobreza e o grupo do G20 Cidades. Essas ações preveem financiamento para infraestrutura urbana sustentável, com a previsão de investimentos específicos para a execução dos projetos.
O jornalista Bruno Lima Rocha Beaklini, doutor em ciência política, também ressaltou a importância do consenso obtido no encontro. Para ele, embora o impacto da declaração seja principalmente diplomático, a assinatura do documento pode constranger governos, como o de Donald Trump, especialmente em relação a temas como a emergência climática. Durante seu primeiro mandato, Trump retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris e indicou que poderá voltar a abandonar o pacto em seu próximo governo, uma postura que contrasta com a agenda global proposta pelo G20.
*Com informações da Agência Brasil.










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