A cinco dias das eleições nos Estados Unidos, a campanha eleitoral adquire características de um confronto acirrado, com um aumento nas trocas de ofensas entre os candidatos. O cientista político Fernando Bizzarro, professor da Boston College, afirma que a polarização política intensa no país contribui para a ascensão de discursos violentos. O candidato republicano adota uma abordagem agressiva para desqualificar sua adversária, utilizando uma linguagem depreciativa. Em contraponto, a vice-presidente recorre a um discurso que pode ser interpretado como etarista, aumentando as tensões entre os candidatos.
Bizzarro destaca que a situação atual é um reflexo de uma sociedade polarizada, dividida por grupos partidários que veem os adversários como completamente diferentes. Essa percepção dificulta o reconhecimento entre os eleitores e políticos de lados opostos, criando um ambiente propício para a retórica violenta. O cientista político também observa que a estratégia de Trump é intencional, buscando se distanciar do discurso convencional e adotando um comportamento que o posiciona como um transgressor das normas estabelecidas.
A polarização não apenas alimenta discursos agressivos, mas também gera um mal-estar no eleitorado. Eleitores indecisos enfrentam uma escolha difícil, já que muitos não veem uma opção claramente superior nas candidaturas disponíveis. Bizzarro explica que esse descontentamento se relaciona com a rigidez do sistema eleitoral americano, que favorece os mesmos representantes e ideais ao longo do tempo, dificultando a emergência de novas candidaturas. Apesar de a insatisfação com a política ser crescente, a quantidade de eleitores descontentes ainda representa uma fração relativamente pequena, embora crucial em uma eleição acirrada.
A decisão final nas eleições dependerá dos sete Estados-pêndulo que variam entre os partidos republicano e democrata: Arizona, Geórgia, Michigan, Nevada, Carolina do Norte, Pensilvânia e Wisconsin. Mesmo com posturas opostas, tanto Trump quanto Harris têm um histórico consolidado no cenário político, o que surpreende especialistas. Bizzarro enfatiza que muitos cidadãos não estão completamente envolvidos na política, o que cria um espaço para incertezas entre os eleitores. O professor ressalta que os últimos anos foram confusos, marcados por eventos significativos, incluindo a presidência de Trump e a pandemia de Covid-19, tornando difícil a avaliação do desempenho dos líderes.
Além disso, a não obrigatoriedade do voto nos Estados Unidos adiciona um desafio ao cenário eleitoral. Há eleitores que, mesmo sabendo em quem desejam votar, não têm certeza se comparecerão às urnas. Por essa razão, as campanhas precisam convencer os cidadãos de que o candidato é suficientemente relevante para motivá-los a participar do processo eleitoral.
*Com informações da RFI.








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