Neste domingo (24/11/2024), o conflito entre o Hezbollah e Israel alcançou novos níveis de intensidade, com o Hezbollah disparando centenas de mísseis de grande calibre contra várias cidades israelenses, incluindo Tel Aviv, Nahariyya, Ashdod e Haifa, como resposta a uma série de ataques aéreos israelenses em Beirute, ocorridos na madrugada de sábado (23). Os bombardeios israelenses resultaram na morte de 29 pessoas e ferimentos em mais de 65, o que motivou a escalada do Hezbollah, que assumiu a responsabilidade por 32 operações militares, incluindo o lançamento de três salvas de mísseis de precisão.
Os combates terrestres continuam intensos nas áreas fronteiriças, especialmente em Khyam e Biyada, onde as tropas israelenses tentam avançar para cortar importantes rotas de comunicação e isolar áreas estratégicas, onde o Hezbollah tem plataformas de lançamento de foguetes. Em resposta, o Hezbollah tem resistido de forma significativa, mantendo sua posição tanto em Khyam quanto em Biyada, regiões cruciais para os dois lados.
Além disso, a artilharia israelense atingiu uma posição do Exército libanês perto da cidade de Tiro, no sul do Líbano, matando um soldado e ferindo 18, o que gerou um aumento na tensão no país. Ataques aéreos israelenses também foram realizados ao longo do dia, visando alvos no sul de Beirute. Enquanto isso, a situação continua a se agravar com o aumento dos confrontos e do número de vítimas.
Em meio à escalada, o chefe da diplomacia da União Europeia, Josep Borrell, fez um apelo público por um cessar-fogo imediato entre as partes. Durante uma visita a Beirute, Borrell reiterou a necessidade de implementar a Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que havia estabelecido as condições para o fim do conflito entre Israel e o Hezbollah em 2006. A resolução prevê a presença apenas do Exército libanês e forças de paz da ONU na região sul do Líbano, e a retirada do Hezbollah e de forças israelenses da área. A União Europeia se comprometeu a apoiar o fortalecimento do Exército libanês com um aporte financeiro de € 200 milhões.
A proposta de trégua, que inclui um cessar-fogo de 60 dias e a presença do Exército libanês no sul, foi discutida pelo enviado americano Amos Hochstein, mas até o momento, os ataques israelenses não cessaram, e as negociações não resultaram em um acordo definitivo. A pressão para alcançar um cessar-fogo continua a crescer, mas a violência segue em escalada, com o foco em intensos confrontos no sul do Líbano.
Moradores de Gaza perdem esperança de novo cessar-fogo após um ano da única trégua entre Hamas e Israel
Em novembro de 2023, a Faixa de Gaza viveu uma breve pausa nas hostilidades, quando caças e drones israelenses cessaram os ataques aéreos, permitindo uma trégua de sete dias. Durante esse período, cerca de 100 reféns israelenses foram libertados em troca de prisioneiros palestinos, e a população de Gaza experimentou uma redução momentânea nos combates. Contudo, a pausa foi efêmera. Mustafa, um jovem habitante de Gaza, recorda com amargura aqueles dias sem bombardeios, mas também com frustração pela rápida retomada dos ataques após o fim da trégua.
“De repente, não houve mais mortes, nem bombardeios. Mas não durou. Assim que a trégua terminou, recebemos uma ordem de evacuação. Foi guerra novamente”, relembra Mustafa, que foi preso e agredido por soldados israelenses após o término do período de calma.
A crise humanitária em Gaza se agrava a cada dia. Para os moradores, a promessa de uma nova trégua ou cessar-fogo se tornou uma esperança distante. Mustafa expressa seu desânimo ao afirmar que a vida em Gaza “já não tem sentido”, com os cidadãos sendo constantemente deslocados e privados de recursos básicos. “Perdi toda a esperança. Não temos o suficiente nem para fazer pão”, lamenta. Abu Hadi, pai de Mustafa, também questiona a viabilidade de um novo cessar-fogo. “Quero um cessar-fogo permanente, mas estaria mentindo se dissesse que ainda tenho esperança. Eles mataram os líderes do Hamas, Sinwar e Haniyeh”, observa. A falta de avanços em negociações de paz e a continuidade das operações militares israelenses reforçam o sentimento de impotência.
Além da insegurança, novos deslocamentos forçados continuam a ocorrer. O Exército israelense emitiu ordens para evacuação de moradores da região de Shuja’iyya, na periferia leste da cidade de Gaza, após mísseis lançados pela área e reivindicados pelo Hamas. A evacuação ordenada tem sido uma constante no contexto da guerra, com mais de 100 mil pessoas deslocadas ao longo do conflito. Ao mesmo tempo, os ataques aéreos israelenses continuam a vitimar a população local, como nos recentes bombardeios aos campos de refugiados de Al-Maghazi e Al-Bureij, que resultaram na morte de ao menos 11 palestinos.
A escalada do conflito também traz números alarmantes sobre o número de mortos. O Ministério da Saúde do governo do Hamas em Gaza anunciou que desde o início da guerra, 44.211 palestinos perderam a vida, e mais de 104 mil ficaram feridos. Somente nas últimas 24 horas, 35 pessoas foram mortas, refletindo a intensidade dos combates em várias regiões da Faixa de Gaza.
*Com informações da RFI.









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