Influência das minorias étnicas nas Eleições dos EUA redefine estratégias de campanha, observa especialista

Com baixa taxa de natalidade e aumento de nacionalizações, os grupos étnicos têm papel central nas eleições dos Estados Unidos, intensificando as disputas por estados indecisos.
Com baixa taxa de natalidade e aumento de nacionalizações, os grupos étnicos têm papel central nas eleições dos Estados Unidos, intensificando as disputas por estados indecisos.

A crescente influência das minorias étnicas nas eleições presidenciais dos Estados Unidos vem mudando o foco das campanhas eleitorais, à medida que as taxas de natalidade declinam e a imigração aumenta. Com a nacionalização de mais estrangeiros, segmentos étnicos e culturais antes sub-representados começam a ter papel estratégico na escolha dos candidatos à presidência. Especialistas apontam que, no sistema eleitoral dos EUA, esses grupos são cada vez mais atraídos com promessas específicas que não refletem necessariamente mudanças estruturais em políticas públicas.

No atual ciclo eleitoral, tanto Kamala Harris, candidata democrata, quanto o ex-presidente republicano Donald Trump, concentraram esforços em um conjunto específico de estados conhecidos como indecisos, entre eles Arizona, Geórgia, Michigan, Nevada, Carolina do Norte, Pensilvânia e Wisconsin. Esse foco é resultado do modelo do Colégio Eleitoral, que exige 270 votos para a vitória, independentemente do voto popular. Dada a volatilidade dos eleitores nesses estados, os candidatos adotam discursos personalizados, que buscam a fidelidade de grupos étnicos relevantes em cada região, como latinos, afro-americanos, e ucraniano-americanos.

Com um eleitorado latino que, historicamente, votava majoritariamente nos democratas, Trump intensificou o alcance a essa comunidade, que atualmente representa 15% do eleitorado nacional e que, desde a eleição de 2016, vem aumentando seu apoio aos republicanos. Enquanto isso, a campanha de Kamala Harris adotou uma estratégia semelhante para atrair o voto afro-americano, grupo que representa 13% do eleitorado, e cujo apoio se concentra nas principais cidades dos estados indecisos. Esse movimento reflete uma abordagem que enxerga nas minorias étnicas uma oportunidade de mobilização eleitoral, não de representatividade política.

Samuel Losada, especialista em relações internacionais, observa que, embora as minorias tenham conquistado maior atenção das campanhas, os benefícios práticos dessa estratégia são limitados. Segundo ele, ações pontuais direcionadas a grupos étnicos não têm melhorado a qualidade de vida dessas comunidades de forma substancial. Como exemplo, cita a política de Donald Trump e Kamala Harris em relação aos latinos, particularmente no estado da Flórida, onde o desejo de obter o voto latino levou ambos os partidos a adotarem uma postura mais agressiva contra países como Cuba e Venezuela, promovendo sanções que afetam diretamente esses territórios.

Além disso, Losada argumenta que a estratégia de Harris em abordar temas como a guerra na Ucrânia e a relação dos EUA com a Rússia também se alinha com os interesses eleitorais, principalmente para atrair o voto ucraniano-americano na Pensilvânia, e o polonês-americano em estados de maior influência europeia. Contudo, essa abordagem possui o custo potencial de afastar os eleitores árabe-americanos, especialmente em Michigan, dado o apoio declarado de Harris à operação militar de Israel em Gaza e no Líbano. Losada salienta que essa estratégia pode ser arriscada, pois pode provocar uma perda de votos significativos de segmentos árabe-americanos, de jovens e do setor mais progressista da população.

As tendências eleitorais nas comunidades étnicas dos EUA, contudo, não são homogêneas. Os latinos, por exemplo, têm demonstrado uma postura politicamente diversa que reflete diferenças culturais e sociais, desafiando a percepção de que esses eleitores votariam uniformemente. Essa complexidade, segundo Losada, é um fator que impulsiona campanhas a realizar adaptações estratégicas para atrair uma ampla diversidade de eleitores.

*Com informações da Sputnik News.


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