Presidente da Voepass defende procedimentos de manutenção e treinamento de pilotos após acidente fatal em Vinhedo

José Luis Felício Filho, presidente da Voepass, detalha condições operacionais e medidas de segurança da empresa em audiência sobre o acidente com o voo 2283.
José Luis Felício Filho, presidente da Voepass, detalha condições operacionais e medidas de segurança da empresa em audiência sobre o acidente com o voo 2283.

Nesta terça-feira (29/10/2024), o presidente da Voepass Linhas Aéreas, José Luis Felício Filho, compareceu à Câmara dos Deputados para esclarecer as condições operacionais da aeronave que caiu em Vinhedo (SP) em 9 de agosto, resultando na morte de quatro tripulantes e 58 passageiros. Em audiência na comissão externa que acompanha as investigações, Felício Filho declarou que o avião passou por manutenção na noite anterior ao acidente e estava em pleno funcionamento. Ele também prestou condolências aos familiares e amigos das vítimas do voo 2283, que fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP).

Felício Filho, que é piloto, reafirmou que os profissionais da empresa são treinados para operar sob condições adversas, incluindo cenários de acúmulo de gelo. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) investiga a possibilidade de formação de gelo em partes da aeronave como uma das causas do acidente. Em resposta a questionamentos, o presidente da Voepass repudiou comentários de um ex-comandante que alegou o uso inadequado de ferramentas para acionar o sistema de degelo. Segundo ele, práticas desse tipo resultariam em demissão sumária do responsável, seja técnico de manutenção ou piloto.

Durante a audiência, o relator da comissão, deputado Padovani (União-PR), questionou Felício Filho sobre a ausência de reportes dos pilotos a respeito de falhas no sistema de degelo antes do pedido de descida de altitude. Padovani levantou a hipótese de que os pilotos poderiam ter evitado o incidente ao informar a torre sobre eventuais problemas no sistema. Em resposta, Felício Filho reforçou que apenas a conclusão do Cenipa trará uma análise precisa sobre as causas do acidente, esclarecendo como o sistema de degelo funcionou durante o voo e a intensidade das formações de gelo enfrentadas.

Felício Filho ainda afirmou que o avião dispunha de combustível suficiente para voar a 10 mil pés, evitando formações de gelo ao manter uma altitude mais baixa, embora tal opção aumentasse o consumo de combustível. Ele preferiu não especular sobre se o acidente poderia ter sido evitado caso essa altitude tivesse sido adotada. Segundo ele, tanto a empresa quanto sua própria família utilizam frequentemente os serviços da Voepass, indicando confiança nas práticas de segurança da companhia.

Em relatório preliminar emitido em 6 de setembro, o Cenipa apontou, com base na análise da caixa-preta, que os pilotos não comunicaram nenhuma emergência à torre de controle antes da queda. A investigação final do Cenipa, que deve levar meses, trará mais detalhes sobre os fatores envolvidos.

Padovani, originário de Cascavel, frisou que a comissão externa busca recomendar medidas para aprimorar a segurança aérea e evitar incidentes futuros, em vez de responsabilizar indivíduos específicos.

*Com informações da Agência Câmara de Notícias.


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