STJ autoriza cultivo de Cannabis para fins medicinais e farmacêuticos

Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça deliberam sobre a autorização para o cultivo de cannabis para fins medicinais e industriais.
Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça deliberam sobre a autorização para o cultivo de cannabis para fins medicinais e industriais.

A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou, nesta quarta-feira (13/11/2024), o cultivo e a importação de sementes de cannabis para fins medicinais, farmacêuticos e industriais, especificamente para a produção de cânhamo industrial. A decisão abrange o cultivo de cannabis com baixo teor de tetrahidrocanabinol (THC), composto psicoativo da planta, limitado a 0,3%. A medida implica a permissão para que a cannabis seja utilizada em tratamentos médicos, pesquisas científicas e na indústria nacional, com foco na produção de derivados que não apresentem efeitos psicoativos.

Durante a sessão, os ministros analisaram o impacto da concentração reduzida de THC, concluindo que essa quantidade não é considerada entorpecente e, portanto, não pode ser tratada da mesma forma que a maconha tradicional. O entendimento foi unânime, com todos os membros da Primeira Seção apoiando a decisão. A relatora do caso, ministra Regina Helena Costa, destacou que a quantidade de THC no cânhamo industrial não justifica a aplicação das restrições da Lei de Drogas, que tipifica o uso de entorpecentes como crime, considerando as fundamentações científicas que diferenciam as variedades de cannabis.

Em sua justificativa, a ministra Regina Helena Costa argumentou que a manutenção das restrições à cannabis para fins medicinais prejudica a indústria nacional e dificulta o acesso de pacientes aos tratamentos médicos. A relatora afirmou ainda que, enquanto a indústria nacional não pode produzir cânhamo industrial, ela tem permissão para importar os insumos necessários, o que encarece o custo de produção e limita a oferta de medicamentos.

Com a decisão, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) terá um prazo de seis meses para regulamentar os parâmetros e condições para a implementação do cultivo e uso do cânhamo industrial no Brasil. O caso foi motivado por um recurso apresentado por uma empresa de biotecnologia, que pleiteava a autorização para a exploração industrial da cannabis no país, visando a ampliação da produção de medicamentos a base de derivados de cânhamo, especialmente em razão dos custos elevados de insumos importados.

A liberação do cultivo de cannabis para fins medicinais e industriais marca um avanço na regulamentação do uso de substâncias derivadas da maconha para tratamentos médicos e científicos no Brasil. Com a regulamentação da Anvisa, espera-se que a medida contribua para a redução de custos e ampliação do acesso a tratamentos que utilizam compostos da planta.

*Com informações da Agência Brasil.


Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe to get the latest posts sent to your email.

Facebook
Threads
WhatsApp
Twitter
LinkedIn

Deixe um comentário

Discover more from Jornal Grande Bahia (JGB)

Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

Continue reading

Privacidade e Cookies: O Jornal Grande Bahia usa cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com o uso deles. Para saber mais, inclusive sobre como controlar os cookies, consulte: Política de Cookies.