A crescente adoção de carros elétricos na China tem o potencial de alterar profundamente o mercado global de petróleo, com impactos que vão desde a diminuição das importações de combustíveis fósseis até mudanças nas estratégias da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). A China, que representa 41% do crescimento anual das vendas de petróleo no mercado global, está observando uma mudança nas preferências dos consumidores, com um aumento significativo na compra de veículos elétricos. Este movimento, juntamente com uma desaceleração econômica prolongada, resulta em uma redução no consumo de gasolina e, consequentemente, na diminuição das importações de petróleo.
Nos primeiros dez meses de 2024, as importações de petróleo pela China caíram 3,4% em relação ao ano anterior, o que tem gerado preocupação entre os fornecedores, como destaca o analista financeiro Vladislav Antonov. Em resposta a essa desaceleração, a OPEP foi forçada a ajustar suas políticas de produção, prorrogando os cortes voluntários e revisando suas estimativas de demanda para os próximos anos.
Embora a transição para carros elétricos seja um fator importante na redução da demanda por petróleo, outros fatores também contribuem para essa queda. A expansão do mercado de veículos elétricos na China não é apenas impulsionada por preocupações ecológicas, mas também por uma estratégia de sobreprodução, que levou os Estados Unidos a impor tarifas elevadas sobre os carros chineses, tornando as exportações menos lucrativas. Em 2023, o governo chinês introduziu incentivos fiscais significativos para promover a compra de veículos ecológicos, como carros elétricos e híbridos, no que é visto como uma tentativa de estimular ainda mais as vendas internas.
Além da crescente demanda por veículos elétricos, o mercado de petróleo global também é afetado por desafios tecnológicos. A produção de veículos elétricos envolve a extração de metais raros, como lítio, cobalto e níquel, o que tem gerado preocupações ambientais. O analista Antonov aponta que a mineração desses metais causa danos ambientais significativos, e a produção de veículos elétricos “verdes” pode resultar em uma pegada de carbono maior do que a dos carros tradicionais. Além disso, a vida útil limitada das baterias e o alto custo de sua substituição representam outros obstáculos para a expansão do mercado de carros elétricos.
Por outro lado, a demanda por petróleo na indústria petroquímica e para o transporte aéreo continua a ser uma variável importante, conforme apontam analistas da Morgan Stanley. A consultoria FGE prevê que as importações de petróleo da China atingirão um pico de 11,2 milhões de barris diários em 2025, indicando que, apesar da queda na demanda por gasolina, o consumo de outros derivados de petróleo continuará em alta. A recente aprovação de um pacote de estímulos econômicos pelo governo chinês, no valor de 1,4 trilhões de yuans, também sugere que a demanda por energia continuará forte.
Em termos de abastecimento, a Rússia tem se consolidado como um dos principais fornecedores de petróleo para a China. Em 2023, os fornecimentos russos aumentaram 24%, com a Rússia se mantendo como o principal exportador de petróleo para o país asiático. Em contrapartida, a Arábia Saudita e o Iraque mantiveram-se em posições de destaque, mas com volumes significativamente menores.
*Com informações da Sputnik News.











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