França: Ciclone Chido devasta Mayotte e deixa centenas de mortos e feridos

O ciclone Chido atingiu o território francês de Mayotte, no Oceano Índico, com ventos superiores a 200 km/h, deixando um rastro de destruição e perdas humanas. O último balanço oficial confirma 22 mortos e mais de 1.400 feridos, sendo 48 em estado grave. Autoridades locais temem que o número de vítimas fatais aumente, à medida que as operações de busca e resgate continuam nas áreas mais afetadas.

O prefeito de Mayotte, Ambdilwahedou Soumaïla, declarou que o território está em situação de calamidade, sem água potável, alimentos ou eletricidade.

“A prioridade hoje é garantir o abastecimento de água e comida para evitar a fome”, afirmou, destacando a necessidade de planejar a reconstrução das áreas devastadas.

Com mais de três quartos de sua população vivendo abaixo da linha da pobreza, Mayotte enfrenta desafios estruturais agravados pela tragédia. Além disso, o território abriga cerca de 100.000 migrantes em situação irregular, vivendo em condições precárias.

No âmbito da resposta emergencial, uma ponte aérea e marítima foi estabelecida a partir da ilha da Reunião, também território francês, para enviar suprimentos e equipes de resgate. A Cruz Vermelha francesa mobilizou 20 toneladas de materiais de assistência, enquanto equipes especializadas trabalham na busca de sobreviventes, remoção de escombros e avaliação dos danos.

A devastação causada pelo ciclone gerou também repercussões políticas. Críticos apontaram a ausência do primeiro-ministro François Bayrou em Paris durante a crise, assim como comentários do ministro do Interior, Bruno Retailleau, sobre a questão migratória em Mayotte. Tais declarações foram recebidas com indignação por líderes da oposição, que pediram maior mobilização do governo na assistência às vítimas.

Além de Mayotte, o ciclone Chido afetou gravemente Moçambique, onde ao menos 34 mortes foram confirmadas. O impacto nos dois países destacou a vulnerabilidade de populações que já enfrentavam dificuldades socioeconômicas antes do desastre.

Mayotte enfrenta desabastecimento e crise humanitária após ciclone Chido

O arquipélago de Mayotte enfrenta uma grave crise humanitária após a passagem do ciclone Chido, que atingiu o território no último sábado (14). Com ventos que ultrapassaram 200 km/h, a tempestade deixou um rastro de destruição, incluindo comunidades devastadas, árvores arrancadas e infraestruturas colapsadas. Segundo balanço preliminar divulgado pelo Ministério do Interior francês, a catástrofe causou 22 mortes, 1.373 feridos e milhares de desabrigados.

A contagem de vítimas ainda é provisória, em razão das dificuldades de acesso às áreas atingidas, especialmente nas favelas onde a população já vivia em condições precárias. Além disso, a identificação dos corpos é uma das prioridades para as autoridades, que também estão mobilizadas para evitar o retorno de doenças como a cólera, registrada na região entre março e julho deste ano, quando resultou em cinco mortes.

O desabastecimento de alimentos e água potável agrava o cenário. Segundo reportagem do jornal Libération, muitos moradores dormem com fome e enfrentam condições de higiene inadequadas. Uma família entrevistada revelou que sua única refeição disponível era uma lata de salsichas. A ONG Médicos do Mundo alertou para o agravamento da situação caso os suprimentos não sejam restabelecidos rapidamente. “Quanto mais o tempo passa, maior será a escassez de água e alimentos”, afirmou Julien Bousac, coordenador da organização, destacando também que 80% da rede de telefonia segue inoperante.

Em Kawéni, considerada a maior favela da França, com cerca de 20.000 habitantes, o ciclone destruiu quase todas as habitações. Apenas 5.000 pessoas conseguiram buscar abrigo antes do desastre. Muitos moradores em situação irregular, cerca de 100.000 dos 320.000 habitantes de Mayotte, não evacuaram as áreas de risco por medo de deportação ou por falta de informação.

Diante da situação, autoridades locais decretaram toque de recolher para evitar saques e promover maior segurança. O presidente Emmanuel Macron visitará o arquipélago nesta quinta-feira (19) para avaliar a gravidade da crise e discutir estratégias de reconstrução.

*Com informações da RFI.


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