A história de Feira de Santana está intrinsecamente ligada ao comércio de gado, desde os primeiros registros da passagem de grandes boiadas que percorriam a região, atualmente conhecida como o Portal do Sertão. Essas manadas, originárias de estados como Piauí, Minas Gerais e Goiás, eram conduzidas por vaqueiros que enfrentavam longas jornadas, uma vez que as estradas de hoje não existiam. O movimento das boiadas desempenhou um papel fundamental na abertura de vias de transporte, funcionando de maneira semelhante aos tratores que, mais tarde, seriam usados para a construção das estradas.
Essas manadas tinham como destino o porto de Cachoeira, a cidade mais importante da região na época, devido à sua relevância comercial, facilitada pela interligação entre ferrovia e transporte marítimo. Durante o trajeto, vaqueiros e boiadeiros faziam paradas para descanso na região que mais tarde daria origem à Fazenda Santana dos Olhos d’Água, início do que se tornaria o município de Feira de Santana. A necessidade de descanso das manadas acabou por dar início ao comércio de gado, um processo que foi expandido de maneira inesperada.
O comércio de gado cresceu rapidamente, e a cidade começou a se formar em torno dessa atividade. Com o aumento do número de moradores, surgiu a necessidade de manter o gado em áreas delimitadas, evitando que causasse danos à infraestrutura emergente. Surgiram, então, cercados feitos de madeira retirada da mata local, sendo o Alto da Boa Vista, nas proximidades da capela de Senhora Santana, um dos primeiros locais a abrigar esses animais.
A expansão do comércio de gado levou à construção de novos currais. Em 1936, na gestão do prefeito Heráclito Dias de Carvalho, foi construído o primeiro campo do gado na área conhecida como Gameleira, hoje Praça do Nordestino. Em 1943, no segundo mandato de Heráclito, novos “currais modelo” foram inaugurados, modernizando a estrutura e permitindo que o comércio de gado se expandisse ainda mais. O evento contou com a presença de autoridades, incluindo o jornalista Assis Chateaubriand, e destacou a crescente importância da Feira de Santana no cenário comercial da Bahia.
No entanto, a rápida urbanização da cidade levou à relocação dos currais. Em 1960, o comércio de gado foi transferido para a zona leste de Feira de Santana, onde surgiu o bairro Campo do Gado Novo. A popularização desse comércio atraiu produtores de diversas regiões, além de impulsionar o desenvolvimento local, com a venda de artefatos de couro, ferramentas agrícolas e produtos regionais. A área também passou a atrair turistas, consolidando-se como um centro comercial vibrante.
Com o aumento da urbanização, a necessidade de um novo local para o comércio de gado levou à construção do Complexo Matadouro Campo do Gado (CMCG) no bairro Pampalona, na gestão do prefeito José Falcão da Silva, em 1983. A implantação do CMCG foi um marco importante para o bairro, que experimentou um crescimento acelerado desde então. Assim, o comércio de gado, embora tenha diminuído em movimentação, seguiu funcionando como termômetro para o crescimento e o ritmo de desenvolvimento de Feira de Santana, que, em suas diferentes fases, sempre foi profundamente marcada pela pecuária.








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