A economia da China apresentou um crescimento de 5% em 2024, a menor taxa registrada em três décadas, com exceção do período da pandemia de Covid-19. O Produto Interno Bruto (PIB) do país alcançou 134,908 trilhões de yuans (aproximadamente R$ 107 trilhões), conforme dados divulgados pelo Escritório Nacional de Estatísticas (NBS). O desempenho econômico é atribuído a fatores como a desaceleração no consumo, crise no setor imobiliário e ameaças de deflação, que afetam os gastos e investimentos das famílias.
O economista François Chimits, do Instituto Mercator para Estudos da China, destacou que os números oficiais do PIB frequentemente refletem ajustes estratégicos para atender a objetivos internos do governo. No entanto, a desaceleração atual evidencia problemas estruturais na segunda maior economia do mundo, incluindo o impacto prolongado da crise imobiliária e a hesitação dos consumidores em ampliar gastos devido à incerteza econômica.
A correspondente Clea Broadhurst, da RFI em Pequim, explicou que a crise no setor imobiliário, um dos pilares da economia chinesa, pesa diretamente no desempenho econômico. Apesar de medidas de estímulo adotadas pelo governo, o consumo interno permanece fraco, enquanto os indicadores de produção industrial mostram sinais mais robustos.
Outro fator de preocupação é a ameaça de deflação, que afeta a dinâmica econômica ao desacelerar o consumo e os investimentos. O desemprego crescente reflete um cenário de desequilíbrio na economia, enquanto o governo planeja fortalecer o apoio orçamentário em 2025, com iniciativas como a extensão de subsídios para renovação de eletrodomésticos. Especialistas, no entanto, veem tais medidas com ceticismo quanto à sua eficácia em estimular a recuperação.
A desaceleração econômica da China tem implicações significativas no cenário global, afetando o comércio, as cadeias de suprimentos e os preços das commodities. Além disso, desafios estruturais como o envelhecimento da população, a dívida de governos locais e a dependência crescente de estímulos levantam questionamentos sobre a sustentabilidade da economia chinesa no longo prazo. Paralelamente, a chegada de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos reacende preocupações com uma possível intensificação da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.
*Com informações da RFI.








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