A moeda norte-americana, que atingiu uma cotação histórica de R$ 6,20 em dezembro de 2024, registrou queda para cerca de R$ 5,90 nos últimos dias. Especialistas consultados pela Sputnik Brasil atribuíram essa oscilação às pressões do mercado financeiro em relação à transição na presidência do Banco Central e às medidas fiscais anunciadas pelo governo.
Rodrigo Rodriguez, professor da UERJ, afirmou que o aumento inicial do dólar foi uma estratégia do mercado para pressionar o governo a adotar cortes fiscais mais profundos. Segundo ele, a valorização também sinalizava à nova presidência do Banco Central, liderada por Gabriel Galípolo, que a manutenção da política monetária rígida seria necessária.
Para André Nassif, da UFF, a volatilidade do câmbio é uma característica da economia brasileira, destacando que o real não está entre as moedas conversíveis, como dólar e euro. Ele pontua que a alta do dólar foi impulsionada por incertezas geradas pela política dos Estados Unidos, especialmente com a chegada de Donald Trump à presidência, e por movimentos especulativos internos.
Daniela Freddo, da UnB, acrescenta que o mercado financeiro utilizou a desvalorização cambial para pressionar o Banco Central a manter a taxa de juros elevada, estratégia que impacta negativamente a renda e o emprego. Ela ressalta que a estabilização recente do dólar reflete o fim da pressão especulativa, mas alerta para os desafios econômicos que o país ainda enfrenta.
Carlos Eduardo Carvalho, da PUC-SP, avalia que a estabilização atual não representa uma queda significativa do dólar, mas sim uma pausa no ciclo de valorização. Ele relaciona o cenário externo, como as incertezas geradas nos Estados Unidos, com as dinâmicas do mercado brasileiro.
Os analistas convergem na necessidade de observar as próximas decisões do Banco Central, especialmente diante da expectativa de novos ajustes na taxa de juros. Apesar da queda da moeda, os investimentos estrangeiros permanecem voláteis, reforçando a importância de políticas fiscais sólidas para garantir a estabilidade econômica.
*Com informações da Sputnik News.










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