O rock, originado nos Estados Unidos, trouxe consigo uma mudança cultural significativa no pós-Segunda Guerra Mundial. Com seu ritmo acelerado, guitarras distorcidas e uma nova forma de expressão, ele abalou as estruturas da sociedade, especialmente na juventude. Embora tenha enfrentado resistência nos primeiros anos, o movimento cresceu e conquistou cada vez mais adeptos, sendo considerado uma revolução musical. Quando o ritmo finalmente chegou a Feira de Santana, no final da década de 1950, trouxe consigo uma ruptura das tradições locais, que até então eram dominadas pelo forró e outros gêneros da música nordestina.
Em 1959, o radialista Ivanito Rocha foi o pioneiro a apresentar o rock em Feira de Santana, por meio do programa “Ritmo Alucinante”, transmitido pela Rádio Cultura. Ao lado de Edson Magalhães, Rocha introduziu um formato inovador, que causou grande impacto na cidade, conhecida por sua cultura voltada ao baião e ao forró. O programa trouxe para a cidade o som da guitarra elétrica, dos vocais agitados e das danças enérgicas, atraindo a juventude local, que começou a se identificar com o estilo.
Logo, o movimento tomou força na cidade, e o rock passou a ser mais do que apenas uma moda passageira. Em 1960, Ivanito Rocha organizou o I Festival do Rock’n’Roll, evento que atraiu um público entusiasmado e consolidou a presença do gênero em Feira de Santana. O sucesso do festival levou à formação do primeiro grupo de rock local, composto por músicos como Edgar Cancyl, Élio Oliveira e Roberto Fialho, entre outros. Os festivais continuaram nos anos seguintes, e em 1962, o cantor Demetrius, conhecido como o “rei do rock” no Brasil, se apresentou no III Festival, consolidando ainda mais o gênero na cidade.
A popularização do rock em Feira de Santana também foi acompanhada pela formação de bandas locais, como Os Eremitas e Os Leopardos, que deram seguimento ao legado do movimento iniciado nos anos 50. Em 1973, surgiu o IsraelStones, considerado um dos melhores grupos de rock da Bahia. O rock, que antes era visto como algo rebelde e fora dos padrões, passou a integrar a cultura musical da cidade, ao lado de outros gêneros musicais.
Embora o rock não tenha mais a mesma força revolucionária que teve nas décadas passadas, seu impacto em Feira de Santana é inegável. O gênero se estabeleceu como parte da identidade da cidade e continua a ser lembrado como um marco importante na história musical local. Hoje, o rock ocupa seu lugar entre outros estilos, mantendo sua influência e capacidade de reunir diferentes gerações de jovens.








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