Donald Trump, ao comentar sobre as tensões diplomáticas entre os Estados Unidos e a Ucrânia, defendeu que a postura americana sobre a guerra na Ucrânia deve ser revista. Durante entrevista em sua residência em Mar-a-Lago, Flórida, Trump manifestou decepção com as declarações de Zelensky sobre as negociações de paz, ocorridas recentemente na Arábia Saudita, nas quais Washington e Moscou negociaram diretamente a paz, sem a participação de Kiev. Trump acusou Zelensky de ser responsável pelo início do conflito e questionou a capacidade de sua liderança para resolver a guerra.
“Vocês deveriam ter terminado [o conflito] há três anos. Nunca deveriam ter começado”, afirmou o ex-presidente dos Estados Unidos.
Em relação à negociação de paz, Trump se mostrou mais otimista, indicando que a Rússia estaria disposta a buscar uma solução para o conflito.
“A Rússia quer fazer alguma coisa. Eles querem pôr fim à barbárie selvagem”, declarou.
A posição do presidente russo Vladimir Putin também foi mencionada, com Trump sugerindo que poderia haver uma reunião direta entre os dois líderes antes de abril deste ano.
Entretanto, a crítica de Trump ao presidente ucraniano foi imediatamente contestada por Zelensky. O líder ucraniano reagiu com firmeza, afirmando que as críticas de Trump derivam de uma “desinformação” proveniente da Rússia. Zelensky também reafirmou a dificuldade de realizar eleições em um país em guerra e sob lei marcial, apontando o aumento da confiança em sua administração, com um índice de aprovação de 57% de acordo com pesquisa recente. Em contrapartida, Trump havia mencionado um índice de aprovação de apenas 4%, o que foi prontamente contestado por dados locais.
O cenário da guerra continua a se agravar, com ataques russos atingindo a infraestrutura ucraniana, como em Odessa, onde várias áreas residenciais ficaram sem eletricidade e aquecimento. As críticas de Trump também se concentram na utilização da ajuda americana a Kiev, mencionando uma alegada falta de transparência quanto ao destino dos fundos. Esse posicionamento reflete uma crítica mais ampla de Trump à administração de Zelensky, cujos níveis de popularidade, segundo ele, são insustentáveis em tempos de guerra prolongada.
Por outro lado, a mudança de rumo na política americana em relação à Ucrânia pode ser vista no contexto do desafio geopolítico maior, representado pela ascensão da China. Philippe Golub, professor de Relações Internacionais da Universidade Americana de Paris, explica que as críticas de Trump visam justificar a mudança estratégica dos Estados Unidos, que desejam realinhar seus esforços para conter a crescente influência chinesa. A postura de Trump sugere um desejo de reintegrar a Rússia ao cenário global, principalmente ao G8, mediante condições que incluam a cessação das ambições territoriais de Putin na Ucrânia.
*Com informações da RFI.
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