China se prepara para responder à ameaça de aumento de tarifas dos Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumprirá neste sábado (01/02/2025) sua promessa de aumentar as tarifas de importação sobre produtos provenientes de vários países, incluindo um aumento de 10% sobre os produtos da China. A medida não é inédita, já que as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China aumentaram consideravelmente durante o primeiro mandato de Trump e continuaram durante a presidência de Joe Biden. Com isso, empresas chinesas buscaram alternativas, transferindo parte de suas produções para países como Vietnã e Camboja, a fim de evitar os impactos das novas tarifas.

Enquanto aguarda novas negociações, o governo chinês mantém sua posição de defensora do multilateralismo, principalmente no contexto das tensões comerciais globais. Ding Xuexiang, vice-primeiro-ministro chinês, abordou a situação durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, afirmando que a China está se preparando para o que considera ser uma “nova guerra comercial”. Segundo ele, “a globalização pode causar tensões, mas essas tensões só podem ser resolvidas promovendo o multilateralismo. O protecionismo não leva a lugar nenhum e as guerras comerciais não têm vencedores.”

O impacto da medida norte-americana pode ser significativo para diversas indústrias. A retaliação chinesa pode afetar diretamente os produtores de soja dos Estados Unidos, que dependem fortemente do mercado chinês. Além disso, grandes empresas como a Tesla, de Elon Musk, um aliado de Trump, podem enfrentar consequências negativas, visto que os impostos mais altos afetam diretamente a competitividade das empresas no mercado global. Produtos como eletrônicos, incluindo os iPhones, que anteriormente foram poupados por não estarem sob tarifas, podem agora ter seus preços elevados devido às novas tarifas, com consequências diretas para os consumidores americanos.

A guerra comercial entre os dois países pode ter um impacto profundo nas economias de ambos, com o risco de prejudicar setores inteiros e gerar aumentos nos preços ao consumidor. Pequim, ao se posicionar contra as tarifas, pode também contar com a simpatia de consumidores norte-americanos, que, ao enfrentarem o aumento de preços, podem passar a questionar as políticas comerciais do governo dos Estados Unidos.

*Com informações da RFI.


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