Cine Teatro Íris: A influência dos faroestes na cultura cinematográfica de Feira de Santana

O Cine Teatro Íris marcou a história cultural de Feira de Santana entre as décadas de 1940 e 1980, tornando-se referência para o público infantojuvenil e adulto. Durante os anos 1950 e 1960, suas matinês dominicais reuniam crianças e adolescentes fascinados pelos faroestes exibidos na grande tela. Além das sessões de cinema, o espaço abrigava o comércio de revistas em quadrinhos e interações que reforçavam a experiência cinematográfica da época.
O Cine Teatro Íris foi um dos principais espaços culturais de Feira de Santana, com exibições de faroestes e clássicos do cinema entre as décadas de 1940 e 1980.

A trajetória do Cine Teatro Íris se confunde com a história cultural de Feira de Santana ao longo de quase quatro décadas. Inaugurado em 9 de maio de 1944, o cinema foi concebido por um grupo de empresários locais e, posteriormente, adquirido por diferentes proprietários. Sua programação incluía exibições de filmes de diversos gêneros, atraindo tanto o público adulto quanto o infantojuvenil. Entre o final da década de 1950 e o início da década de 1960, suas matinês de domingo se consolidaram como um dos principais programas de lazer para crianças e adolescentes da cidade.

A cultura dos faroestes estava presente dentro e fora das salas de exibição. Antes do início das sessões, a área externa do Cine Teatro Íris se transformava em um ponto de encontro para o comércio e a troca de revistas em quadrinhos, onde personagens como Cisco Kid, Durango Kid, Zorro e Roy Rogers eram referências para os jovens frequentadores. No interior do cinema, as aventuras protagonizadas por esses heróis reforçavam a atmosfera do velho oeste, com duelos, perseguições e conflitos que envolviam xerifes, bandidos e colonos.

O público adulto também frequentava assiduamente o Cine Teatro Íris, sobretudo nas sessões noturnas, quando eram exibidos filmes românticos, policiais e históricos. Durante as décadas de 1940 e 1960, produções como E o Vento Levou, Assim Caminha a Humanidade e Os Canhões de Navarone eram assistidas por espectadores elegantemente trajados, interessados nos grandes clássicos de Hollywood. O cinema, que contava com 1.200 assentos, tornou-se um ponto de encontro para a sociedade feirense, acompanhando a evolução da indústria cinematográfica.

O Cine Teatro Íris passou por diferentes gestões ao longo de sua existência. Em 1948, foi adquirido pelo empresário Afonso Cavalcante de Carvalho, então proprietário de uma grande rede de cinemas no estado. Em 1962, foi vendido aos irmãos Normando e Nilton Barreto, que pagaram pela transação em doze prestações mensais. Entre 1970 e 1981, o cinema foi arrendado à Distribuidora de Filmes Calumbí, retornando à administração dos irmãos Barreto após o fim do contrato.

Com o avanço das novas tecnologias e mudanças nos hábitos de consumo do entretenimento, o Cine Teatro Íris, assim como outros cinemas tradicionais, deixou de operar. O impacto cultural e a memória afetiva que ele proporcionou a seus frequentadores, no entanto, permanecem como parte da história de Feira de Santana. A recordação das matinês dominicais, das trocas de revistas e das emoções despertadas pelas produções cinematográficas ainda fazem parte da memória de uma geração que acompanhava, com entusiasmo, as aventuras dos faroestes na tela grande.


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