O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (MUNCAB), localizado em Salvador, inaugurou recentemente o espaço “Odoyá”, um novo ambiente dedicado à arte e ao artesanato afro-brasileiro. O projeto tem como objetivo promover as expressões culturais de matriz africana, estimular a difusão de obras de artistas contemporâneos e mestres artesãos e contribuir para a manutenção do museu por meio da comercialização dos produtos expostos. A inauguração de “Odoyá” reforça o compromisso do MUNCAB com o fortalecimento da cultura afro-brasileira, promovendo a circulação de trabalhos artísticos que dialogam com a ancestralidade e a contemporaneidade.
A curadoria do espaço é fundamentada em movimentos culturais como o Afrofuturismo e a Negritude, trazendo à tona a interseção entre tradição, sustentabilidade e inovação. O espaço reúne técnicas como grafite, tecelagem e cerâmica, além de ser um local de exposição de obras de artistas que representam essa fusão de conceitos. As esculturas de Sandro Aiyê, por exemplo, são produzidas com madeira recuperada de casarões históricos de Salvador, propondo uma ressignificação de fragmentos do passado por meio da arte. As cerâmicas de Luisa Magaly, por sua vez, mesclam saberes tradicionais com elementos naturais, estabelecendo um elo entre herança cultural e inovação.
O espaço também conta com as criações da estilista Goya Lopes, que explora a iconografia afro-brasileira e a simbologia dos orixás em suas estampas, reafirmando a força da cultura negra na moda e no design contemporâneo. O projeto arquitetônico de “Odoyá”, concebido por Wesley Lemos, do Estúdio W+, em parceria com Vini Brandão e Alessandra Cohen, reflete influências da ancestralidade africana na arte e no design contemporâneo. A concepção estética do espaço utiliza formas geométricas simples e texturas orgânicas, criando um ambiente propício para a contemplação e reflexão sobre as raízes da cultura afro-brasileira.
Além de promover a valorização artística, “Odoyá” tem um impacto significativo na economia criativa ao priorizar empreendedores e fornecedores negros, ampliando a representatividade no mercado. Jamile Coelho, diretora artística do MUNCAB, destaca que grande parte dos insumos utilizados no espaço provém de negócios negros, o que contribui para a inclusão e fortalecimento econômico dessa parcela da sociedade. Desde sua reabertura em 2023, o MUNCAB tem expandido suas iniciativas para estimular a produção e disseminação de conhecimentos sobre a história e as expressões artísticas afro-brasileiras, com “Odoyá” se posicionando como um elo entre passado e futuro, tradição e inovação.
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