O Papa Francisco enviou uma mensagem à Cúpula de Ação sobre Inteligência Artificial, evento realizado em Paris, destacando a importância de um uso ético e responsável da tecnologia. O texto, direcionado ao presidente francês Emmanuel Macron, foi lido pelo núncio apostólico na França, Dom Celestino Migliore, e ressaltou a necessidade de que os avanços tecnológicos considerem o impacto na sociedade, na educação e na informação.
O Pontífice citou o filósofo Blaise Pascal para enfatizar a importância da dimensão humana no desenvolvimento tecnológico, afirmando que, ao contrário dos algoritmos, o coração humano não pode enganar. Francisco reiterou que a inteligência artificial deve estar a serviço da dignidade humana, prevenindo sua instrumentalização para manipulação e desinformação.
Na mensagem, o Papa fez referência ao documento “Nota sobre a relação entre inteligência artificial e inteligência humana”, reafirmando a necessidade de um debate aprofundado sobre os impactos sociais da tecnologia. Citando o Papa João Paulo II, Francisco questionou se, diante dos avanços tecnológicos, o ser humano está se tornando mais consciente da sua dignidade e mais responsável perante os mais vulneráveis.
Francisco também defendeu a criação de uma plataforma global sobre inteligência artificial, com o objetivo de garantir que todas as nações possam utilizar essa tecnologia para combate à pobreza, proteção cultural e desenvolvimento sustentável. O Pontífice alertou que a exclusão dos mais pobres dos processos decisórios pode ampliar desigualdades e comprometer a diversidade humana.
O Papa retomou pontos abordados no G7 da Puglia, advertindo que a inteligência artificial, sem regulamentação adequada, pode representar uma ameaça à dignidade humana. Segundo ele, a tecnologia deve ser inserida em um projeto maior que promova o bem comum e a sustentabilidade da Casa Comum, conforme os princípios da encíclica Laudato Si’.
Francisco concluiu sua mensagem enfatizando que a inteligência artificial pode ser um instrumento poderoso para inovação, desde que sua aplicação considere a preservação ambiental e os desafios energéticos associados ao seu uso.
*Com informações do Vatican News.








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