Primeiro-ministro israelense e secretário estadunidense discutem futuro de Gaza e ameaça do Irã

O chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.
O chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Em uma reunião histórica, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, destacaram a crescente cooperação entre Israel e os Estados Unidos em relação à Faixa de Gaza e à ameaça nuclear iraniana. Netanyahu elogiou o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmando que ambos compartilham uma “estratégia comum” para o futuro da região, enquanto Rubio reafirmou a posição de Washington sobre a necessidade de eliminar o movimento Hamas.

A reunião, que aconteceu em Jerusalém, foi a primeira visita do novo secretário de Estado dos EUA desde que assumiu o cargo. O encontro teve como tema central o fortalecimento da aliança entre os dois países, com foco no que ambos consideram inimigos comuns: o Hamas e o Irã. O secretário de Estado dos EUA, em declarações contundentes, reiterou que o Hamas, responsável pelo governo da Faixa de Gaza, deve ser eliminado.

“O Hamas não tem lugar no futuro da Palestina”, afirmou Rubio.

Durante a reunião, Netanyahu destacou a “visão ousada” de Trump para a Faixa de Gaza, que inclui a ideia controversa de transferir seus 2,4 milhões de habitantes para países vizinhos, como Egito e Jordânia. A proposta foi recebida com críticas unânimes do mundo árabe e oposição significativa da comunidade internacional, que vê a ideia como uma violação dos direitos dos palestinos. Contudo, Netanyahu confirmou o comprometimento de Israel em trabalhar para concretizar essa visão.

“Trabalharemos para tornar essa visão uma realidade”, declarou o premiê israelense, destacando a total coordenação entre os governos de Israel e dos EUA.

No âmbito das negociações sobre a trégua em Gaza, o secretário de Estado norte-americano também procurou promover avanços no acordo com o Hamas. Rubio sugeriu que Israel intensifique os esforços para libertar os reféns ainda em poder do Hamas, especialmente após a recente troca de prisioneiros que resultou na libertação de três israelenses em troca de 369 palestinos.

A visita de Rubio ocorre em um momento delicado para a região, com uma cúpula árabe marcada para o dia 20 de fevereiro em Riad, onde líderes de cinco países árabes irão discutir o plano de Trump para Gaza. A proposta de transformar Gaza na “Côte d’Azur do Oriente Médio” é vista como uma tentativa de isolar ainda mais o território palestino. A cúpula também visa formular uma resposta unificada ao projeto, que enfrenta forte oposição no mundo árabe e críticas de diversas organizações internacionais.

Programa nuclear iraniano também é prioridade

Além dos temas relacionados ao Hamas e à Faixa de Gaza, o programa nuclear iraniano esteve no centro da reunião. Netanyahu e Rubio concordaram que o Irã continua a ser uma ameaça significativa para a segurança regional e internacional, com o primeiro-ministro israelense reafirmando o compromisso de Israel de “concluir o trabalho” contra o programa nuclear iraniano. Rubio, por sua vez, reforçou a posição dos EUA, afirmando que o Irã “não pode jamais possuir armas nucleares”, uma declaração que reflete a preocupação dos dois países com a instabilidade que a expansão do programa nuclear iraniano pode causar.

Em relação à trégua em Gaza, o secretário de Estado norte-americano tentará persuadir as autoridades israelenses a retomar as negociações para a segunda fase do acordo com o Hamas, que incluiria a libertação dos reféns restantes e o reforço da segurança em Gaza. Netanyahu, contudo, destacou que a recuperação de reféns continua sendo a prioridade, além de garantir que a paz na região seja mantida sob os parâmetros estabelecidos pelos governos de Israel e dos EUA.

Hezbollah pressiona governo libanês a permitir pouso de aviões iranianos e a resistir a pressões israelenses

O grupo Hezbollah solicitou, neste domingo (16/02/2025), que o governo libanês reveja a decisão de proibir a aterrissagem de aviões iranianos no aeroporto internacional de Beirute. A medida tem gerado uma série de protestos na capital libanesa, desde o final da semana passada, devido à crescente tensão com Israel e às acusações de que o regime iraniano estaria utilizando o transporte aéreo para fornecer recursos ao Hezbollah.

Em um comunicado oficial, o Hezbollah pediu ao governo libanês que não ceda às pressões de Israel e que tome medidas para evitar a violação da soberania nacional. A proibição, implementada na última quinta-feira (13), impediu duas vezes que aviões comerciais provenientes do Irã pousassem em Beirute. O governo libanês tomou essa decisão após o Exército israelense ameaçar atacar o aeroporto, alegando que o Irã estaria contrabandeando suprimentos para o Hezbollah.

A ação do governo libanês gerou protestos intensos nas ruas de Beirute, especialmente nos arredores do aeroporto e da área de Dahiyeh, bastião do grupo Hezbollah. Os manifestantes, em sua maioria, apoiam o movimento libanês pró-iraniano e se opõem à interferência de Israel em assuntos internos do Líbano. No entanto, as forças de segurança libanesas reagiram de forma enérgica, utilizando gás lacrimogêneo e outras táticas de repressão para dispersar os participantes. No sábado (15), um ataque a um comboio das Nações Unidas resultou na prisão de mais de 25 pessoas e no ferimento de dois soldados da Unifil (Força Interina da ONU no Líbano).

A suspensão dos voos entre o Irã e o Líbano deverá ser mantida até terça-feira (18), data prevista para a retirada das forças israelenses do sul do Líbano e a implementação completa do cessar-fogo no país. O Exército libanês solicitou à população que se mantenha distante das áreas ainda sob ocupação israelense, a fim de evitar vítimas inocentes.

Violência e confrontos em áreas ocupadas por Israel

Na mesma data, a agência de notícias estatal ANI relatou a morte de uma mulher a tiros na cidade de Houla, no sul do Líbano, em meio à crescente violência. De acordo com fontes locais, a mulher foi morta por forças israelenses, enquanto tentava retornar para sua casa, em uma região que ainda está sob ocupação militar. Três outros civis foram detidos pelas forças israelenses.

Enquanto isso, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reafirmou o compromisso de Israel com o cumprimento da trégua e com a segurança de seu território. Durante uma coletiva de imprensa em Jerusalém, ao lado do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, Netanyahu enfatizou que, apesar do acordo de cessar-fogo, Israel considera essencial que o Hezbollah seja desarmado.

“O Hezbollah deve ser desarmado, e Israel preferiria que o Exército libanês se encarregasse disso”, afirmou Netanyahu, acrescentando que o país “fará o que for necessário para garantir que o acordo seja respeitado”.

Marco Rubio, em sua primeira visita oficial ao Oriente Médio como secretário de Estado, também expressou seu apoio a Israel e destacou a importância de um Líbano forte e livre da influência do Hezbollah.

“Nosso objetivo é claro: um Estado libanês forte, capaz de confrontar e desarmar o Hezbollah”, disse Rubio, sublinhando a posição dos Estados Unidos sobre a necessidade de conter o movimento que, segundo o governo norte-americano, atua como um aliado de Teerã e desestabiliza a região.

*Com informações da RFI.


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