A 75ª edição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, realizado na capital alemã, não foi marcada apenas pelos curtas e longas-metragens brasileiros, mas também pela crescente presença das séries brasileiras. Obras que demonstram não apenas uma evolução estética, mas também um engajamento com questões sociais urgentes e linguagens inovadoras. Entre as produções que conquistaram destaque, “De Menor”, “Reencarne” e “Máscaras de Oxigênio” se destacaram por suas temáticas e abordagens narrativas.
A série “De Menor”, dirigida por Caru Alves de Souza, é um exemplo de como a televisão brasileira está incorporando linguagens diferenciadas. A produção é um spin-off do filme homônimo de 2013, e foi convidada especial para a seção Generation da Berlinale. A trama, que reflete sobre a vida de adolescentes marginalizados no Brasil, utiliza uma linguagem não naturalista, visando provocar uma reflexão crítica no espectador. Em uma entrevista à FIFA, a diretora explicou que a série não busca respostas definitivas, mas sim estimular o público a refletir sobre a realidade dos jovens em situações de vulnerabilidade.
“Nosso objetivo é chamar a atenção e gerar um pensamento mais profundo sobre a situação”, destacou.
“Reencarne”, dirigida por Bruno Safadi, levou o terror brasileiro para um novo patamar no cenário internacional. A série, que se passa no interior de Goiás, acompanha a história de um ex-policial que encontra uma mulher alegando ser a reencarnação de seu parceiro morto. A produção, que estreou mundialmente na Berlinale, é marcada por uma abordagem inédita para o gênero, com uma forte presença de um elenco majoritariamente negro. Safadi mencionou que a série busca romper os clichês tradicionais associados ao terror e à representação da cultura brasileira, oferecendo uma nova perspectiva tanto para o gênero quanto para as narrativas do Brasil.
Já a série “Máscaras de Oxigênio (não) Cairão Imediatamente”, do diretor Marcelo Gomes, trata de uma história real sobre comissários de bordo que ajudaram a transportar clandestinamente o medicamento AZT para pacientes com HIV durante a epidemia da AIDS nos anos 80 e 90. Inspirada em um contexto de intolerância e descaso público, a série aborda um dos períodos mais sombrios da história recente do Brasil. Gomes, veterano do festival e indicado ao Urso de Ouro com o longa “Joaquim” (2017), afirmou que a série visa transmitir aos mais jovens o que a sociedade brasileira vivenciou durante a crise da AIDS e alertar sobre os erros do passado.
A participação das séries brasileiras na Berlinale é um reflexo de como a indústria audiovisual do país tem se modernizado e conquistado visibilidade internacional. O evento, que é um dos principais festivais de cinema do mundo, tem se mostrado cada vez mais receptivo a essas produções, consolidando as séries como um novo mercado promissor. Bruno Safadi destacou que o mercado global de séries tem se expandido, permitindo que produções de diversos países ganhem atenção em grandes festivais como a Berlinale. Além disso, a presença de temas como o protagonismo negro e as questões de identidade social tem sido um ponto de destaque para as produções brasileiras.
Em um momento em que o Brasil atravessa um cenário de polarização política e social, a contribuição dessas obras para o cinema global se torna ainda mais significativa. Ao destacar questões urgentes, como a marginalização de jovens, a intolerância com comunidades vulneráveis e as falhas no sistema de saúde, essas produções oferecem uma visão crítica sobre a realidade brasileira, ao mesmo tempo em que ganham o mundo com suas narrativas inovadoras.
*Com informações da RFI.
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