Na segunda-feira (25/03/2024), o Conselho Regional de Odontologia da Bahia (CRO-BA) alertou a população sobre os riscos das práticas relacionadas à chamada odontologia biológica, amplamente divulgada nas redes sociais e em sites na internet. A área não possui reconhecimento oficial do Conselho Federal de Odontologia (CFO), nem como especialidade nem como habilitação, o que torna ilegal qualquer título de especialista nessa prática.
O CRO-BA reforça que diversos profissionais têm se apresentado como especialistas em odontologia biológica, disseminando informações consideradas enganosas e sem respaldo científico sobre tratamentos odontológicos. Os conteúdos veiculados por esses profissionais questionam condutas consagradas como tratamento de canal, uso de flúor em cremes dentais, restaurações com amálgama e implantes dentários, alegando que causam danos à saúde.
De acordo com o presidente do CRO-BA, Dr. Marcel Arriaga, as promessas de cura e o discurso contra técnicas comprovadas na odontologia representam riscos à população.
“Toda a odontologia é biológica, porque trabalha com tecidos e células. A alegação de que há uma odontologia biológica distinta cria uma falsa ideia de exclusividade e ignora os princípios científicos da profissão”, afirmou.
O conselho destaca ainda que essas práticas disseminam desinformação, incluindo alegações como a de que o flúor é tóxico ou que restaurações com amálgama funcionam como antenas que atraem ondas eletromagnéticas. Também são feitas associações infundadas entre procedimentos odontológicos e doenças sistêmicas.
Entre os exemplos citados pelo CRO-BA está a afirmação de que o uso de aparelhos ortodônticos ou o posicionamento inadequado dos dentes poderia causar infertilidade. Outra alegação recorrente é de que dentes específicos, como incisivos centrais e laterais, teriam ligação direta com problemas em órgãos como coração, sistema urinário, reprodutivo e esquelético.
O conselho esclarece que tais conexões não possuem respaldo científico e reforça que a endodontia, prática regulamentada, não representa risco de infecção crônica, como divulgado pelos defensores da odontologia biológica. Segundo o CRO-BA, as abordagens utilizadas por esses profissionais visam causar medo na população e promover tratamentos caros sem comprovação de eficácia.
O CRO-BA alerta que o uso do termo “odontologia biológica” para atrair pacientes caracteriza propaganda irregular e infringe o Código de Ética Odontológica. A autarquia orienta que denúncias sobre práticas irregulares sejam formalizadas para apuração e adoção das medidas legais cabíveis.
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