A entrega do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, realizada nesta quinta-feira (27/03/2025), foi marcada pela reafirmação da luta por mais representatividade feminina em espaços de poder e pela proteção dos direitos das mulheres. A premiação, que neste ano homenageou 19 personalidades que se destacam na defesa dos direitos das mulheres, enfatizou a necessidade de políticas públicas mais eficazes para garantir igualdade de gênero e segurança às mulheres brasileiras.
Esta edição, a 22ª do Diploma Bertha Lutz, celebrou a diversidade da luta feminina, com homenageadas provenientes de várias áreas, como política, ciência, Judiciário, cultura, ativismo social e empreendedorismo. Entre as premiadas, destacaram-se figuras como a juíza Bruna dos Santos Costa Rodrigues, que relatou a vivência diária de racismo e sexismo estrutural. Rodrigues, que ocupa um cargo de poder no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, destacou a responsabilidade individual e coletiva na luta pela igualdade e afirmou que, apesar das dificuldades, as mulheres não podem desistir de abrir caminhos para as gerações futuras.
A senadora Leila Barros (PDT-DF), que conduziu a sessão, destacou o papel fundamental do Senado na luta pela equidade de gênero. Barros ressaltou que, embora a premiação seja um marco histórico na busca por direitos iguais, ainda há desafios a serem superados, como a equiparação de oportunidades e a divisão do trabalho doméstico, citando dados alarmantes sobre a violência contra a mulher. Segundo o Relatório Anual Socioeconômico da Mulher 2025, o Brasil registrou 1.450 feminicídios e 2.485 homicídios dolosos de mulheres em 2024, com uma média de oito mulheres vítimas de violência doméstica a cada 24 horas.
Leila também homenageou Janete Ana Ribeiro Vaz, cofundadora do Grupo Sabin, reconhecendo sua contribuição ao setor de saúde e seu trabalho na promoção da igualdade de gênero no mercado de trabalho. Para a senadora, Vaz exemplifica como as mulheres podem e devem ocupar posições de liderança.
O primeiro vice-presidente do Senado, Eduardo Gomes, destacou o potencial da população feminina brasileira, afirmando que as premiadas são representantes da renovação da luta contra desigualdades de gênero e violência. Segundo Gomes, essa luta deve ser uma causa comum, defendendo igualdade, justiça e oportunidades para as mulheres em todas as esferas.
A questão da representação feminina no Parlamento também foi enfatizada. As senadoras presentes lembraram que, apesar das mulheres representarem mais de 52% do eleitorado, sua representação no Congresso Nacional ainda é inferior a 20%. Elas destacaram o debate sobre a criação de uma cota mínima de participação feminina nas futuras eleições, uma medida que visa ampliar a presença feminina nas decisões políticas.
A ministra do Tribunal Superior do Trabalho, Delaíde Alves Miranda Arantes, também ressaltou a importância de fortalecer a presença feminina nas instituições de poder. Ela citou a recente conquista de uma turma exclusivamente feminina no Tribunal Superior do Trabalho, destacando que, embora o caminho seja longo, o movimento por igualdade de direitos está em andamento.
A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) usou a cerimônia para denunciar retrocessos nas políticas públicas de combate à violência contra a mulher, especialmente o corte de 68% do orçamento destinado a esse fim na Lei Orçamentária de 2025. Thronicke afirmou que a redução de recursos para proteção das mulheres representa um retrocesso significativo, pedindo mais apoio para políticas de direitos humanos femininos.
Durante a cerimônia, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) também abordou os avanços da luta feminina, lembrando que, embora as mulheres tenham conquistado muitos direitos, ainda há muito a ser feito. Segundo Leitão, cada mulher que conquista espaço representa um passo na direção da igualdade. Ela fez uma homenagem à escritora Conceição Evaristo, destacando sua trajetória de sucesso e sua identificação com as mulheres negras e pobres do Brasil.
A cerimônia também prestou homenagem a Antonieta de Barros, primeira mulher negra eleita deputada no Brasil. Ivete da Silveira (MDB-SC), em seu discurso, incentivou que as novas gerações se inspirem em Antonieta, que abriu portas para tantas outras mulheres ao longo de sua carreira.
O Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz, instituído em homenagem à biologa e diplomata Bertha Lutz, é concedido anualmente a mulheres que se destacam na defesa dos direitos femininos. Bertha Lutz foi uma figura central no movimento feminista brasileiro e teve papel fundamental na luta pelo direito ao voto das mulheres, além de representar o Brasil na fundação das Nações Unidas.
*Com informações da Agência Senado.










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