Nos últimos dias, o Protector, um aplicativo lançado nos Estados Unidos, tem gerado discussões sobre sua popularização e os impactos da sua possível chegada ao Brasil. O serviço oferece aos usuários a possibilidade de contratar escoltas armadas sob demanda, através de um aplicativo similar aos de transporte, permitindo que pessoas contratem militares da ativa, veteranos do Exército ou policiais como guarda-costas. A ferramenta rapidamente se tornou uma das mais baixadas nas categorias de viagens e segurança em cidades como Nova York e Los Angeles.
O conceito de transformar agentes de segurança armados em prestadores de serviço por meio de um clique é a principal proposta do Protector. O aplicativo tem sido promovido como uma solução rápida para indivíduos que necessitam de proteção armada, como exemplificado pelo caso do CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson, que se beneficiaria da presença de escoltas armadas em uma situação hipotética de risco.
Desafios para a implementação no Brasil
Para especialistas, a chegada do Protector ao Brasil depende de vários fatores, incluindo a legislação local. Segundo o professor e pesquisador em cibersegurança, Abian Laginestra, a violência nas grandes cidades e a presença de facções criminosas podem ser fatores que pressionem a chegada da ferramenta ao país. No entanto, ele alerta que desafios legais e a dificuldade de operar dentro da legalidade podem impedir ou dificultar o funcionamento do aplicativo.
No Brasil, a aquisição de armas de fogo é restrita e exige uma série de requisitos legais, como cursos e registro no Exército. Esses obstáculos, segundo Laginestra, poderiam levar o serviço a operar de maneira irregular, possivelmente fora da plataforma oficial e em ambientes mais difíceis de monitorar, como a deep web. Além disso, como o aplicativo está registrado nos EUA, eventuais violações da lei brasileira não acarretariam responsabilidades diretas para a empresa que o oferece, mas para os prestadores de serviço.
Impactos para a segurança pública no Brasil
A atuação do Protector no Brasil também geraria questões relacionadas à qualificação e ao treinamento dos agentes de segurança. Guilherme Neves, diretor de cibersegurança e especialista em segurança pública, enfatiza que o serviço do aplicativo não seria uma simples contratação de agentes armados, mas uma necessidade de treinamento especializado, abrangendo desde direção defensiva até estratégias de comunicação e inteligência. A falta dessa verificação e a ausência de um controle rigoroso sobre a capacitação dos prestadores de serviço seria um ponto crítico para a implementação do serviço.
Lobby e pressão política para legalização
A possível legalização do Protector no Brasil pode estar associada a um lobby político, impulsionado pela indústria bélica e a crescente violência urbana. Laginestra observa que, em contextos de insegurança, pode haver uma pressão para que o serviço seja regulamentado e regularizado como um serviço legítimo. Esse tipo de iniciativa pode ser uma resposta à dificuldade do Estado brasileiro em garantir a segurança pública de forma eficaz.
Riscos e implicações cibernéticas
Outro risco destacado pelos especialistas é a segurança digital. O uso do Protector no Brasil poderia resultar em vazamentos de dados de usuários e prestadores de serviço, tornando indivíduos alvo de ataques cibernéticos. Neves alerta para a necessidade de proteger informações sensíveis, como dados de localização e históricos de contratantes de escoltas, para evitar que esses indivíduos sejam expostos a riscos adicionais.
*Com informações da Sputnik News.










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