Na quinta-feira (27/03/2025), o professor José Renato Sena, do Departamento de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), apresentou críticas à ampliação do Aeroporto João Durval durante uma audiência pública na Câmara Municipal. A audiência teve como tema a “Situação atual e as perspectivas de desenvolvimento do Aeroporto João Durval” e contou com a presença de autoridades locais, incluindo o vereador Jorge Oliveira (PRD), o deputado estadual José de Arimatéia (Republicanos), e outros representantes do poder público e da iniciativa privada.
Durante sua apresentação, José Renato Sena destacou que a afirmação de que o aeroporto de Feira de Santana não tem demanda é incorreta. Segundo o professor, o problema real não está na falta de demanda, mas sim na infraestrutura insuficiente para explorar a demanda existente. O professor citou um estudo realizado pelo Laboratório de Transportes da Universidade Federal de Santa Catarina, que projeta que o aeroporto de Feira pode receber 605 mil passageiros em 2030 e até 964 mil em 2052, caso a infraestrutura seja adequadamente desenvolvida. Ele destacou que, com um cenário otimista, o número de passageiros poderia ultrapassar 1,8 milhão até 2052.
Sena criticou a política de aviação regional da Bahia, apontando que sete em cada dez passageiros que utilizam aeroportos no Estado embarcam ou desembarcam em Salvador. Ele argumentou que essa concentração em Salvador deixa o interior do Estado, incluindo Feira de Santana, desassistido, o que, segundo ele, compromete o potencial de desenvolvimento da região. O professor defendeu a criação de um aeroporto regional em Feira, com capacidade de atender não apenas a cidade, mas também as localidades vizinhas.
A ampliação da pista do Aeroporto João Durval, prevista para ser realizada pelo Governo do Estado, também foi alvo de críticas de José Renato Sena. Ele apontou que o aumento de 300 metros na pista (passando de 1500m para 1800m) não é suficiente para permitir a operação de aeronaves de maior porte. O índice de resistência do pavimento não será adequado, pois a ampliação permitirá suportar aeronaves com peso de 36 toneladas, quando o mínimo necessário seria de 44 toneladas.
Além disso, o professor questionou a falta de especificações no edital de licitação sobre a ampliação de outros elementos essenciais da infraestrutura aeroportuária, como o pátio e a pista de taxiamento. Atualmente, o aeroporto possui apenas duas posições de paradas de aeronaves, e a pista de taxiamento necessita de reforço. José Renato defendeu que a ampliação da pista deveria seguir o que estava estabelecido na licitação de concessão do aeroporto, com 2200 metros de comprimento, 45 metros de largura e índice de resistência de 44 toneladas.
Por fim, o professor também criticou um projeto estadual que visa a criação de um aeroporto de cargas em Feira de Santana, considerando-o “aquém das necessidades reais da cidade”. Segundo ele, a construção de um aeroporto adequado contribuiria para consolidar Feira de Santana como um dos principais centros logísticos do Nordeste, atraindo divisas e fortalecendo a economia regional.










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