O Senado Federal realizou, nesta terça-feira (18/03/2025), uma sessão solene em celebração aos 40 anos da redemocratização do Brasil, evento que destacou a importância do processo de transição política após o fim da ditadura militar. A homenagem ocorreu em meio aos debates sobre o projeto de lei (PL) que propõe a anistia a pessoas envolvidas na tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023, um dos temas centrais na Câmara dos Deputados.
O ex-presidente José Sarney (MDB), que foi o primeiro presidente após o regime militar, foi o principal homenageado. Durante sua participação, Sarney fez um discurso no qual criticou os atos de vandalismo que ocorreram em janeiro de 2023, quando manifestantes atacaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, em uma tentativa de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Sarney, aclamado por muitos como o “fiador” da redemocratização, ressaltou que, embora o Brasil tenha avançado, a instituição do Senado sofreu ataques significativos.
“Hoje, o Senado é uma instituição forte, apesar de ter sido vítima daquele vandalismo condenável do dia 8 de janeiro”, afirmou Sarney.
A sessão também prestou uma homenagem a Tancredo Neves, o primeiro presidente eleito após a ditadura, que faleceu antes de assumir o cargo. Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado, destacou que a homenagem reafirma o compromisso da Casa com a democracia.
“A democracia não se sustenta sem diálogo, sem respeito às instituições e sem o compromisso diário com a pluralidade e a harmonia entre os Poderes”, afirmou Alcolumbre, em referência à situação política atual.
O ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também participou e lembrou que o “monstro” do autoritarismo ainda está presente no país. “A luta pela democracia é uma luta constante, diária”, disse Pacheco. Já o líder do MDB, Eduardo Braga (MDB-AM), ressaltou a importância da unidade entre os partidos da Casa, que assinaram a sessão em apoio à construção de pontes políticas.
Após o evento no Senado, a assessoria do presidente da Câmara, Hugo Motta, informou que ele não compareceu à homenagem, embora sua presença estivesse inicialmente confirmada. Motta, que é pressionado a pautar o projeto de anistia, já havia minimizado os eventos de 8 de janeiro, quando afirmou que não houve tentativa de golpe de Estado. No entanto, a Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou 33 pessoas, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusando-os de envolvimento na trama golpista.
A denúncia da PGR destaca que o grupo tentou impedir a posse de Lula e, entre outras ações, planejou assassinatos de figuras públicas e a decretação de um estado de sítio, medidas que buscavam anular o resultado das eleições de 2022. A PGR acusa ainda figuras-chave, como os militares, de apoio à ação golpista.
Enquanto a denúncia segue no STF, aliados de Bolsonaro pressionam pela aprovação da anistia aos envolvidos nos ataques de janeiro. No último domingo, um ato em Copacabana, com a presença de Bolsonaro e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reforçou o pedido de anistia aos acusados.
*Com informações da Agência Brasil.










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