Apostadores movimentam até R$ 30 bilhões por mês em sites de apostas, segundo Banco Central

O Banco Central (BC) informou que os apostadores brasileiros movimentaram entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões por mês em plataformas de apostas online no primeiro trimestre de 2025. A estimativa foi apresentada pelo secretário-executivo da instituição, Rogério Lucca, durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, no Senado Federal.

De acordo com Lucca, os valores estimados no período correspondem ao fluxo financeiro de transações envolvendo sites de apostas, e foram calculados com base nas movimentações registradas em contas bancárias vinculadas ao setor, com Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) específica. A nova exigência foi introduzida após a regulamentação do mercado, que passou a vigorar em 1º de janeiro de 2025.

Em 2024, antes da regulação, o BC havia estimado um fluxo mensal em torno de R$ 20 bilhões. Segundo o secretásrio, os dados atuais ratificam as projeções anteriores e demonstram que a regulação não reduziu o interesse do público pelas apostas.

Retorno em prêmios diverge entre órgãos

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, também presente à sessão, destacou que quase todo o valor apostado retorna aos jogadores em forma de prêmios, embora haja divergência nos percentuais. Enquanto a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, aponta retorno de 93% a 94%, o BC estima média de 85%.

Galípolo explicou que o BC não possui competência legal para fiscalizar ou aplicar sanções a plataformas de apostas, mesmo que não estejam autorizadas a operar no Brasil. Essas atribuições pertencem à SPA. O BC apenas atua mediante notificação, e as instituições financeiras são responsáveis por interromper as transações após orientação formal.

Função do BC se limita a prevenção de ilícitos financeiros

O presidente da autoridade monetária esclareceu que sua atuação se restringe à compilação estatística, à prevenção à lavagem de dinheiro e ao combate ao financiamento do terrorismo. Nessas situações, o BC deve repassar informações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), ao Ministério Público e à Polícia Federal.

Durante o depoimento, Galípolo frisou que não é função do Banco Central bloquear Pix de beneficiários do Bolsa Família, mesmo em casos em que esses cidadãos destinem recursos a sites de apostas. O órgão também não pode suspender transações relacionadas às bets, mesmo se envolverem verbas públicas, como as do programa social.

Crédito mais caro para apostadores

Galípolo também informou que os apostadores online apresentam risco de crédito mais elevado em comparação aos não apostadores. Segundo ele, os bancos já identificam esse perfil de risco e, por isso, aplicam taxas de juros mais altas nos empréstimos contratados por esse público.

A CPI das Bets foi instalada em novembro de 2024 com o objetivo de investigar o impacto das apostas no orçamento das famílias e no sistema financeiro. A relatora é a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS), e a presidência está sob responsabilidade do senador Dr. Hiran (PP-RR), que convidou Galípolo e Lucca para a audiência.

*Com informações da Agência Brasil.


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