Carlo Barbosa: Trajetória e legado de um dos principais artistas plásticos de Feira de Santana

Artista autodidata projetou-se nacionalmente com obras que retratam a religiosidade e o sertão.
Artista autodidata projetou-se nacionalmente com obras que retratam a religiosidade e o sertão.

A trajetória de Carlo Barbosa, um dos principais artistas plásticos de Feira de Santana e da Bahia, é relembrada pelo legado construído ao longo de sua carreira. Autodidata, ele alcançou reconhecimento nacional ao retratar a religiosidade e o cotidiano sertanejo em suas obras.

Antônio Carlos de Oliveira Barbosa, conhecido como Carlo Barbosa, nasceu em 20 de junho de 1945 em Feira de Santana. Filho de Judite Simões de Oliveira Barbosa e Antônio Cassimiro Barbosa, perdeu o pai precocemente em um acidente de carro em 1961. Desde a infância, demonstrou interesse pelas artes plásticas, sendo incentivado pela avó materna, Eufrosina, a desenvolver o talento revelado em rabiscos feitos em casa e na escola.

Aos 15 anos, após concluir a obra “Apreensão”, Carlo Barbosa decidiu deixar o lar e seguir para o Rio de Janeiro, em busca de espaço no cenário artístico nacional. Antes disso, realizou sua primeira mostra em Salvador, no Salão Nobre da Prefeitura. A ida para a capital fluminense foi marcada pela ausência de apoio de figuras influentes, mas o artista feirense superou as dificuldades e conquistou espaço nas galerias de arte e na imprensa especializada.

Em 1972, estreou na Real Galeria de Arte, no Rio de Janeiro, com telas que abordavam temáticas religiosas e o cotidiano do sertanejo. Os traços definidos e a representação de elementos da fé popular nordestina, como anjos, santos e Jesus Cristo, tornaram-se marcas do seu trabalho. A crítica especializada reconheceu a qualidade das obras e o artista ganhou projeção.

Carlo Barbosa realizou 18 exposições individuais e participou de 30 mostras coletivas e salões de arte. Mesmo distante de Feira de Santana, o artista manteve as raízes nas obras que retratavam a fé popular, as romarias e as celebrações dedicadas à Senhora Santana, padroeira do município. A religiosidade e o cotidiano sertanejo foram temas recorrentes, representados também no nanquim e outras técnicas além do óleo sobre tela.

Em sua trajetória, o artista também abordou questões ambientais como o desmatamento das florestas e a poluição das águas. Nos últimos anos de produção, ampliou o olhar para o universo, refletindo sobre as incertezas da humanidade diante das transformações globais.

Carlo Barbosa obteve reconhecimento da crítica e de artistas renomados, tornando-se destaque em veículos de comunicação, no cinema e na televisão. Apesar da visibilidade, manteve-se distante de eventos sociais, preservando sua identidade artística.

Em 1984, retornou a Feira de Santana, onde faleceu em março de 1988, aos 37 anos. Após sua morte, a irmã Lucy Barbosa criou a Fundação Carlo Barbosa (FCB), com o objetivo de preservar a memória e as obras do artista. Lucy idealizou a criação do Museu Carlo Barbosa, que abrigaria parte do acervo, incluindo desenhos escolares e telas resgatadas por colecionadores. Entretanto, com o falecimento de Lucy há cerca de dois anos, o projeto não foi concluído.

O legado de Carlo Barbosa permanece como referência para as artes plásticas de Feira de Santana e da Bahia, sendo lembrado pela representação da religiosidade e da vida sertaneja em suas obras.


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