Corte Internacional de Justiça avalia restrições de Israel à atuação da ONU em Gaza

Audiências discutem cumprimento das obrigações legais de Israel como potência ocupante nos Territórios Palestinos Ocupados.
Audiências discutem cumprimento das obrigações legais de Israel como potência ocupante nos Territórios Palestinos Ocupados.

A Corte Internacional de Justiça (CIJ) iniciou nesta segunda-feira (28/04/2025) uma série de audiências públicas para examinar as restrições impostas por Israel às atividades das Nações Unidas e de outras organizações internacionais em Gaza e nos Territórios Palestinos Ocupados. A análise jurídica ocorre em resposta a solicitação da Assembleia Geral da ONU, que busca uma opinião consultiva sobre as obrigações de Israel no contexto do direito internacional.

A conselheira jurídica da ONU, Elinor Hammarskjöld, representou o secretário-geral António Guterres na abertura das audiências em Haia, na Holanda. Em sua declaração, ela reiterou os apelos por cessar-fogo, a necessidade de garantir acesso humanitário a Gaza e a libertação dos reféns mantidos pelo grupo Hamas. Ela informou que 13 entidades da ONU permanecem operando na região e que 295 funcionários da ONU morreram desde o início do conflito, em outubro de 2023.

Hammarskjöld destacou que, conforme o direito internacional, agências e funcionários da ONU possuem imunidades e proteções específicas, inclusive durante conflitos armados. Segundo a conselheira, Israel, como potência ocupante, tem a responsabilidade de facilitar operações de ajuda humanitária e de gerir o território no interesse da população local.

O processo na CIJ conta com a participação de 40 Estados e quatro organizações internacionais. A expectativa é que os 15 juízes do tribunal emitam uma opinião consultiva ao final da semana. Apesar de não ser juridicamente vinculante, essa opinião orienta a Assembleia Geral da ONU quanto a futuras deliberações.

A convocação das audiências decorre de resolução aprovada em dezembro de 2024 por 137 Estados-membros, com 12 votos contrários, solicitando análise da legalidade das ações israelenses à luz da Carta da ONU.

Durante as sessões, o comissário-geral da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos (Unrwa), Philippe Lazzarini, também se pronunciou. Ele afirmou que a política israelense de “nenhum contato” com a Unrwa, aprovada pelo parlamento do país, tem comprometido a prestação de serviços essenciais. A agência, segundo ele, é a principal responsável pela assistência humanitária em Gaza, atuando nas áreas de saúde, educação e abastecimento básico.

Desde a entrada em vigor das restrições, em janeiro de 2025, a equipe internacional da Unrwa não tem obtido vistos de entrada em Israel, o que dificulta as operações. Paralelamente, a decisão do governo israelense de fechar as fronteiras de Gaza, em 2 de março, intensificou a escassez de alimentos na região, segundo relatos apresentados à Corte.

A Corte Internacional de Justiça deverá concluir as audiências nesta sexta-feira (02/05/2025). Após a emissão do parecer consultivo, o tema poderá retornar à pauta da Assembleia Geral da ONU para deliberações adicionais.

*Com informações da ONU News.


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