Nesta quarta-feira (24/04/2025), informações divulgadas pela imprensa internacional indicaram que os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, elaboram uma proposta de acordo de paz entre Rússia e Ucrânia que inclui trocas territoriais, controle de recursos naturais estratégicos e restrições à entrada da Ucrânia na OTAN. A proposta foi mencionada pelo vice-presidente norte-americano JD Vance durante viagem à Índia e está sendo tratada como uma condição para a continuidade da mediação por parte dos EUA.
A proposta americana, segundo o jornal Washington Post e o site Axios, prevê o reconhecimento da Crimeia como parte do território russo. A península foi anexada pela Rússia em 2014, e o reconhecimento dessa condição é apontado como exigência do presidente Vladimir Putin para qualquer cessar-fogo. O plano incluiria ainda o reconhecimento do controle russo sobre partes das regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporíjia.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, rejeitou publicamente qualquer cessão de território. Em declaração a jornalistas, afirmou que a Crimeia “é parte integral da Ucrânia”, conforme previsto pela Constituição do país. Também criticou a possibilidade de um “conflito congelado” ser apresentado como solução diplomática.
Em sua declaração à imprensa, JD Vance enfatizou que os Estados Unidos abandonarão as negociações se não houver avanço nas tratativas. Afirmou que as propostas já foram explicitadas e que ambas as partes devem responder afirmativamente, ou os EUA se retirarão do processo de mediação. Especialistas internacionais interpretam essa postura como uma tentativa de pressionar Kiev a aceitar concessões consideradas essenciais pela administração Trump.
Um dos pontos do plano americano inclui a exclusão definitiva da Ucrânia da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). A garantia de não adesão à aliança militar é outra exigência do Kremlin. No entanto, a proposta não impede a continuidade das negociações para que a Ucrânia integre a União Europeia, o que manteria implicações relevantes para o equilíbrio político na região.
Segundo o Financial Times, o presidente Vladimir Putin propôs interromper a ofensiva militar caso os Estados Unidos aceitem as condições de soberania russa sobre a Crimeia e de veto à entrada da Ucrânia na OTAN. A proposta teria sido entregue ao emissário americano Steve Witkoff no início de abril. Em resposta, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, negou a veracidade de informações divulgadas por veículos ocidentais e reforçou que as negociações estão sendo conduzidas de forma confidencial.
O plano em negociação também prevê a oferta de garantias de segurança à Ucrânia por meio de uma coalizão internacional, possivelmente incluindo países europeus e outras potências, ainda sem definição clara sobre o escopo e os termos dessa proteção.
Além disso, há discussões sobre a suspensão de sanções econômicas contra a Rússia em caso de acordo, enquanto a Ucrânia receberia ajuda para a reconstrução e compensações financeiras, embora os critérios para o financiamento dessas medidas não estejam definidos.
Outro ponto de destaque é o interesse norte-americano na central nuclear de Zaporíjia, atualmente ocupada pela Rússia. Segundo o Axios, os Estados Unidos propõem que a instalação permaneça em território ucraniano, mas seja operada sob supervisão americana. Zelensky também rejeita essa proposta, alegando questões de soberania.
O plano ainda contempla negociações em torno do acesso a recursos naturais e minerais estratégicos da Ucrânia. Na última semana, Washington e Kiev assinaram um “memorando de intenção” voltado à formalização de um acordo sobre o controle e a exploração desses recursos. Esse ponto tem sido considerado sensível pela sociedade ucraniana e fonte de resistência nas tratativas em andamento.
*Com informações da RFI.










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