Irã admite possibilidade de acordo nuclear caso Estados Unidos retirem sanções

O governo norte-americano confirmou negociações diretas, previstas para sábado (12/04/2025), em Omã.
O governo norte-americano confirmou negociações diretas, previstas para sábado (12/04/2025), em Omã.

Na terça-feira (08/04/2025), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que um acordo nuclear com os Estados Unidos poderá ser alcançado se Washington demonstrar vontade política e suspender as sanções econômicas impostas ao país. A declaração ocorreu após o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmar a existência de discussões diretas entre os dois governos e anunciar nova rodada de negociações para sábado (12/04/2025), em Omã.

Segundo Araghchi, “se a outra parte tiver a vontade necessária e suficiente, um acordo pode ser alcançado. No final, a bola está no campo da América“. O diplomata reforçou que o principal objetivo do Irã é a remoção das sanções. Apesar da disposição iraniana, analistas do mercado financeiro alertam que, caso o Irã mantenha posições consideradas inaceitáveis pelos Estados Unidos, as sanções poderão ser intensificadas, o que aumentaria os preços do petróleo no mercado internacional.

O Kremlin manifestou apoio às conversações, destacando que os contatos diretos e indiretos previstos para ocorrer em Omã podem reduzir as tensões em torno do programa nuclear iraniano. O porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, declarou que Moscou apoia uma resolução política e diplomática para a questão nuclear. O Irã também realizou reuniões em Moscou com seus aliados Rússia e China.

A China, por sua vez, defendeu que os Estados Unidos adotem uma postura de “sinceridade política” nas negociações. Segundo Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Washington deve demonstrar respeito mútuo e abandonar a “pressão máxima” contra o Irã. O governo chinês segue em contato com todas as partes envolvidas com o objetivo de alcançar uma solução diplomática a curto prazo.

Desde 2018, quando os EUA se retiraram unilateralmente do acordo nuclear de Viena — formalizado em 2015 entre o Irã e os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU — as tensões entre Teerã e Washington aumentaram, com impactos sobre as relações internacionais e o mercado de energia.

Durante a semana, os EUA intensificaram ataques a rebeldes Houthi no Iêmen, aliados do Irã, e reforçaram a presença militar na região, com o envio de bombardeiros B-2 Spirit. Esses movimentos ampliam a pressão sobre Teerã em meio às negociações, alimentando especulações sobre possíveis ações militares, caso as tratativas fracassem.

O anúncio das conversas foi feito por Donald Trump durante encontro com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, na Casa Branca. O premiê israelense não obteve sucesso em sua tentativa de reverter as tarifas comerciais impostas por Washington. Em resposta ao anúncio, Araghchi reiterou que as negociações de sábado serão de alto nível e indiretas, indicando que a mediação de países terceiros poderá ser decisiva.

Apesar do novo ciclo de diálogos, as exigências dos Estados Unidos permanecem desconhecidas. Há especulações sobre possíveis exigências quanto à interrupção não apenas do programa nuclear, mas também do programa balístico iraniano, ponto que Teerã já indicou não estar disposto a negociar.


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