O Papa Francisco publicou o Quirógrafo intitulado “O Ministério petrino”, por meio do qual formaliza a reforma da Pontifícia Academia Eclesiástica, instituição responsável pela formação dos diplomatas da Santa Sé. Criada há mais de 300 anos, a Academia é responsável por preparar sacerdotes para atuação em representações pontifícias e na Secretaria de Estado do Vaticano.
No documento, o Papa afirma que a atualização tem como objetivo adequar a Academia às finalidades para as quais foi criada, tornando sua estrutura mais eficiente e integrada às demandas contemporâneas da diplomacia eclesial. Entre as mudanças, está a aprovação de um novo Estatuto e a transformação da Academia em Instituto de Ensino Superior em Ciências Diplomáticas, com direito a conferir graus acadêmicos de segundo e terceiro ciclos.
Segundo o Papa, os Representantes Pontifícios mantêm a missão de levar a proximidade do Sucessor de Pedro às nações e Igrejas locais. Ao atuarem em diversos contextos, os diplomatas devem unir espírito pastoral com qualificação técnica, observando as normas do direito internacional e respeitando os princípios da convivência entre os povos.
Francisco destaca que, nos tempos atuais, a atuação da diplomacia vaticana ocorre não apenas em países com presença consolidada da Igreja, mas também em regiões onde ela ainda está em formação e em organismos internacionais. O Papa ressalta a necessidade de uma formação sólida, contínua e atenta às mudanças sociais, políticas e tecnológicas. Para isso, os diplomatas devem desenvolver métodos de trabalho e estilos de vida compatíveis com a missão eclesial.
A nova estrutura acadêmica permitirá uma integração mais direta com a evangelização, as demandas das Igrejas locais e o trabalho da Cúria Romana. O Papa enfatiza que o papel dos diplomatas não se limita à representação política, mas inclui a promoção da paz, da liberdade religiosa e do diálogo entre culturas, com base na ética cristã.
A reforma estabelece a Pontifícia Academia Eclesiástica como uma instituição com personalidade jurídica pública, vinculada à Secretaria de Estado e submetida ao direito canônico. O Papa também prevê que a Academia adote as formas mais avançadas de ensino e pesquisa, com base nos parâmetros internacionais de formação universitária, e que mantenha estreita conexão com as disciplinas eclesiásticas e com a ação pastoral da Igreja.
Entrevista com o Cardeal Pietro Parolin: “Diplomacia vaticana cada vez mais a serviço da paz”
O secretário de Estado do Vaticano e Protetor da Pontifícia Academia Eclesiástica, cardeal Pietro Parolin, comentou a reforma promovida por Francisco. Para o cardeal, a decisão representa uma nova temporada para a diplomacia da Santa Sé, com foco na formação qualificada e na integração entre missão pastoral e diálogo internacional.
Segundo Parolin, a Academia continua exercendo a função de formar diplomatas com uma visão missionária e comprometida com os princípios da Igreja. Os representantes pontifícios são descritos como “sacerdotes com as malas na mão”, atuando em nome do Papa em diferentes partes do mundo. Ele ressalta que o novo percurso formativo tem como base a harmonização com os padrões internacionais de ensino superior, seguindo o modelo do Processo de Bolonha, aplicado em instituições universitárias europeias.
Entre as novidades, estão os cursos de mestrado e doutorado em Ciências Diplomáticas, que integram disciplinas jurídicas, históricas, políticas, econômicas e linguísticas. Parolin afirma que os programas de ensino serão fortemente conectados às disciplinas eclesiásticas e às demandas concretas da Cúria Romana, garantindo uma formação que combine dimensão pastoral e diplomática.
Para o cardeal, a diplomacia do Vaticano deve continuar atuando como mediadora em conflitos, promotora da paz e defensora da dignidade humana. Ele reforça que a nova estrutura permitirá preparar sacerdotes capazes de interpretar e propor soluções para os desafios contemporâneos, mantendo o vínculo com a missão universal da Igreja Católica.
*Com informações da Vatican News.








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