Pesquisadores discutem em Paris as heranças autoritárias da Ditadura Militar brasileira

Pesquisadores de diversas nacionalidades iniciaram nesta segunda-feira (01/04/2025) o colóquio “Brasil: Pensar a ditadura no aniversário de 60 anos do golpe militar” no Campus Condorcet, em Aubervilliers, região metropolitana de Paris. O evento, organizado pela Associação para a Pesquisa sobre o Brasil na Europa (Arbre) com apoio da Embaixada do Brasil na França, busca analisar as heranças autoritárias do regime militar e suas reverberações na sociedade contemporânea.

Abordagens multidisciplinares

O colóquio reúne especialistas em história, ciência política, sociologia e direito para discutir:

  • Relações entre história, justiça e memória
  • Conexões entre a ditadura e a ascensão da extrema direita no Brasil
  • Impactos das transições políticas na América Latina

Entre os temas debatidos estão:

  • “As redes franco-brasileiras das direitas radicais (1960-1977)”
  • “O que resta das ditaduras latino-americanas?”
  • “Legados autoritários e democracia no contexto global”

Diálogo entre passado e presente

A historiadora Mariana Joffily (Universidade de Santa Catarina) destacou que a experiência do governo Bolsonaro trouxe novas perspectivas para o estudo da ditadura:

“A ascensão da extrema direita permitiu revisitar o passado com perguntas renovadas, ajudando a entender as permanências autoritárias.”

Já a pesquisadora francesa Maud Chirio (Universidade Gustave Eiffel) enfatizou a importância de retomar a narrativa histórica:

“Agora, com certa distância dos 60 anos do golpe, podemos analisar com mais clareza os legados e fortalecer a resistência democrática.”

Memória e cultura

O escritor Marcelo Rubens Paiva, autor do livro que inspirou o filme “Ainda Estou Aqui” (vencedor do Oscar), participou do debate lembrando o assassinato de seu pai, Rubens Paiva, pela ditadura:

“A história do meu pai é um símbolo da violência do regime. Escrevi o livro como resposta ao avanço da extrema direita e ao golpe contra Dilma Rousseff.”

Ele também contextualizou o golpe de 1964 dentro da Guerra Fria, destacando o papel dos EUA na desestabilização de governos latino-americanos.

Continuação dos debates

O colóquio segue nesta terça-feira (02) com novas mesas-redondas, antecedendo a abertura do Ano do Brasil na França, que promoverá eventos culturais e acadêmicos sobre o país.

*Com informações da RFI.


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