A União Europeia avalia as tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o aço, o alumínio e outros setores estratégicos, enquanto finaliza um pacote de retaliação. A Comissão Europeia considera medidas que podem incluir novas tarifas e restrições comerciais. As negociações com Washington seguem em curso para evitar uma escalada no conflito econômico.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou que a UE busca uma solução negociada, mas reforçou que o bloco está pronto para reagir caso os Estados Unidos mantenham as medidas protecionistas. O comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, tem reunião marcada com representantes do governo norte-americano nesta sexta-feira (04/04/2025).
Impacto econômico e medidas de retaliação
A União Europeia estuda impor tarifas sobre produtos norte-americanos, atingindo setores como tecnologia e agricultura. Estima-se que as medidas possam afetar transações comerciais no valor de 26 bilhões de euros. O plano prevê uma resposta em duas fases: a primeira em abril, sobre as tarifas ao aço e alumínio, e a segunda em maio, caso novas sanções comerciais sejam implementadas por Washington.
Especialistas apontam que a UE pode reforçar acordos comerciais com outros mercados, acelerando parcerias como o tratado UE-Mercosul, cuja implementação ainda está em processo de ratificação. O objetivo é reduzir a dependência do comércio com os Estados Unidos.
Países mais afetados e reações políticas
A Alemanha, maior exportadora de veículos do bloco, está entre os países mais impactados. O Instituto de Pesquisas Econômicas Ifo estima que o PIB alemão pode recuar 0,3%, resultando em um prejuízo de 200 bilhões de euros para a indústria do país.
Na França, setores como aeronáutico e vinícola foram atingidos, levando o governo a propor a suspensão de novos investimentos nos EUA. O presidente Emmanuel Macron defende o uso da lei anti-coerção, mecanismo europeu que permite restrições comerciais contra países que adotem práticas consideradas hostis.
A Itália, terceira maior economia da zona do euro, também sente os efeitos das tarifas, afetando 10% de suas exportações destinadas ao mercado norte-americano. Irlanda e Finlândia estão entre os outros países com maior exposição às restrições comerciais dos EUA.
Efeitos econômicos e impactos nos mercados
As novas tarifas podem pressionar a inflação na zona do euro, elevando os custos de alimentos, medicamentos e transportes. Analistas apontam que os impactos podem influenciar a política monetária do Banco Central Europeu, resultando em mudanças nas taxas de juros nos próximos meses.
O conflito tarifário envolve aproximadamente 8,6 trilhões de euros em comércio e investimentos bilaterais. No último ano, as importações da UE de produtos norte-americanos somaram 334 bilhões de euros, enquanto as exportações do bloco para os EUA chegaram a 532 bilhões de euros.
Nesta sexta-feira (04/04/2025), os principais índices das bolsas europeias registraram queda, refletindo a incerteza do mercado financeiro diante da disputa comercial. As negociações entre Bruxelas e Washington seguem para evitar uma escalada do conflito que possa impactar ainda mais o comércio global.
*Com informações da RFI.








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