A Câmara Municipal de Feira de Santana realizou na noite desta quarta-feira (28/05/2025) uma sessão solene em homenagem ao Dia do Trabalhador Rural, celebrado em 25 de maio. O evento reuniu representantes de todos os distritos rurais do município e abordou questões fundamentais para o setor agrícola, incluindo a falta de políticas públicas, infraestrutura e assistência técnica. A solenidade destacou a importância do trabalhador rural para a economia local e nacional, além de cobrar ações concretas para o fortalecimento da agricultura familiar.
A sessão começou com o pronunciamento da agricultora Gilmária Cerqueira, da comunidade Quilombola de Lagoa Grande, no distrito de Maria Quitéria. Ela chamou atenção para a baixa autoestima dos trabalhadores rurais e a necessidade de valorização da categoria.
“Uma vez na vida a gente pode precisar de um médico, um advogado. Mas três vezes ao dia precisamos de um agricultor“, afirmou.
A fala de Gilmária expressou a sensação de abandono enfrentada por muitos trabalhadores do campo.
“Sozinhos acabamos desistindo“, acrescentou, reforçando o papel essencial da terra na vida do agricultor.
O vereador Professor Ivamberg (PT), autor da homenagem, ressaltou o valor do trabalhador rural para a sociedade, destacando que, além de produzir alimentos, esse trabalhador preserva saberes tradicionais passados de geração em geração.
“Por trás de cada alimento na mesa, existe a mão calejada, o suor silencioso e o coração gigante do trabalhador rural“, declarou.
Ivamberg enfatizou ainda que o trabalhador rural é guardião dos ciclos da natureza e da sustentabilidade ambiental.
“Num mundo que corre tanto, que às vezes esquece do essencial, o trabalhador e a trabalhadora rural seguem lembrando à sociedade que a vida começa na terra. É da terra que brota o alimento. É da terra que vem a dignidade. E é preciso dizer: não há cidade forte sem campo valorizado“, destacou.
O vereador também apontou as dificuldades enfrentadas no campo, incluindo a precariedade das estradas vicinais e o orçamento insuficiente para o setor agrícola no município.
A diretora do Movimento de Organização Comunitária (MOC), Conceição Borges, abriu a solenidade com uma apresentação cultural, simbolizando a luta diária do agricultor. Em seu discurso, ela ressaltou a necessidade de políticas públicas efetivas.
“A terra é para quem trabalha, na lei ou na marra nós vamos ganhar“, afirmou.
Borges alertou para o processo de urbanização da zona rural, sinalizando o enfraquecimento das áreas agrícolas.
“Precisamos nos inquietar“, acrescentou.
A suplente de deputada federal Elisângela Araújo destacou a importância do crédito e do investimento para o desenvolvimento da agricultura familiar.
“Crédito e investimento são fundamentais para a produção de alimentos“, disse.
O secretário municipal de Governo, Luiz Bahia Neto, que representou o prefeito José Ronaldo de Carvalho, também ressaltou a necessidade de crédito e assistência técnica no campo.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Agricultura Familiar, Adriana Lima, denunciou o abandono da zona rural e o fechamento de escolas.
“Não somos vistos, estamos abandonados. E o campo está virando favela“, afirmou, pedindo dignidade para a categoria.
Célia Firmo, diretora do Fórum Baiano da Agricultura Familiar, reforçou que a zona rural não pode servir apenas como dormitório, ressaltando a carência de investimentos.
O evento contou com a participação de representantes de todos os distritos rurais do município e foi marcado pela exibição de um vídeo que mostrou a atuação dos agricultores no cotidiano da produção.










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