EUA e China suspendem tarifas de importação por 90 dias após negociações em Genebra

Decisão conjunta busca aliviar tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo.
Decisão conjunta busca aliviar tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo.

Estados Unidos e China anunciaram a suspensão temporária das tarifas de importação recíprocas por um período de 90 dias, conforme comunicado conjunto divulgado após dois dias de negociações em Genebra, Suíça. A medida entrará em vigor até quarta-feira (14/05/2025) e representa uma pausa nas tensões comerciais que se intensificaram desde 2022.

Acordo reduz tarifas sobre produtos importados

Segundo o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o representante de Comércio, Jamieson Greer, a suspensão reduzirá em 115 pontos percentuais as tarifas recíprocas entre os dois países. Os produtos chineses importados pelos Estados Unidos passarão a ser taxados em 30%, enquanto os produtos americanos importados pela China terão tarifa de 10%.

A medida ocorre após sucessivos aumentos tarifários que elevaram as taxas americanas sobre produtos chineses para até 245% em alguns setores, com a China respondendo com tarifas de até 125%. Esse cenário contribuiu para a estagnação do comércio bilateral.

Mercado reage positivamente ao anúncio

A decisão teve impacto imediato nos mercados. A Bolsa de Hong Kong registrou alta superior a 3%, enquanto o dólar se valorizou frente ao iene e ao euro. O Ministério do Comércio da China classificou os resultados das conversas como “progressos substanciais” e ressaltou que a redução tarifária é benéfica para a economia global.

Negociações ocorreram na Suíça em clima diplomático

As tratativas foram conduzidas por Bessent e Greer, dos Estados Unidos, e pelo vice-primeiro-ministro He Lifeng, da China. As reuniões foram realizadas na residência oficial do Representante Permanente da Suíça na ONU. Ambas as delegações descreveram o diálogo como respeitoso e produtivo, e concordaram em criar um mecanismo permanente de diálogo econômico e comercial.

A diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Ngozi Okonjo-Iweala, elogiou a iniciativa como um “passo positivo” para a desescalada comercial. O presidente americano, Donald Trump, também afirmou que as negociações resultaram em “grande progresso” e classificou o novo acordo como um “recomeço total, amigável e construtivo”.

Contexto da guerra comercial

A guerra comercial entre os dois países foi iniciada durante o primeiro mandato de Trump, com a imposição de tarifas sobre produtos chineses como parte de uma estratégia para reequilibrar as relações comerciais. Pequim respondeu com tarifas próprias, afetando setores estratégicos norte-americanos. Desde então, diversas rodadas de negociações ocorreram sem acordo duradouro.

O atual avanço foi interpretado por analistas como sinal de que ambas as partes desejam evitar uma ruptura econômica e buscar estabilidade no comércio internacional. Para o economista Gary Hufbauer, do Peterson Institute for International Economics (PIIE), a China apresenta atualmente maior resiliência em relação à disputa tarifária.

Exportações chinesas surpreendem analistas

Dados divulgados recentemente mostram que as exportações da China cresceram 8,1% em abril, superando as expectativas. Especialistas apontam que o redirecionamento das exportações para países do sudeste asiático pode ter ajudado a mitigar os impactos das tarifas americanas.

*Com informações da RFI.


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