Festival de Violeiros do Nordeste caminha para meio século em Feira de Santana

O Festival de Violeiros do Nordeste (FVN), criado em 1975 pela dupla Caboquinho e Dadinho, chega ao seu 50º aniversário em outubro de 2024, consolidando-se como um dos maiores eventos da cultura popular do Nordeste brasileiro. A partir de um programa na Rádio Sociedade de Feira de Santana, o evento promoveu o encontro dos maiores repentistas do Brasil, elevando o gênero da viola no estado da Bahia, onde tradicionalmente o repente tinha pouca representação.

A realização do festival, atualmente sob a coordenação da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), ocorre em um espaço dedicado dentro do campus universitário, localizado às margens da Rodovia Feira/Serrinha. Esse movimento cultural, que começou com um programa de rádio em 1966, de imediato conquistou o público feirense, especialmente a população migrante vinda de estados nordestinos como Paraíba, Pernambuco, Ceará, entre outros, onde o repente e o canto de viola possuem forte presença. Na época, o programa “Encontro de Violeiros”, transmitido às segundas, quartas e sextas-feiras, foi a primeira iniciativa desse tipo no estado.

A ideia de um grande festival público foi proposta por Caboquinho (José Crispim Ramos), que após formar-se em advogado e professor, vislumbrou a possibilidade de reunir violeiros de todo o Nordeste em Feira de Santana. Em outubro de 1975, o I Festival de Violeiros do Nordeste foi realizado no auditório da Biblioteca Municipal Arnold Silva, com grande sucesso de público. O evento contou com a participação de repentistas de renome, como a dupla Pedro Bandeira e Daudete Bandeira, representantes do Ceará, que se sagraram campeões.

O apoio institucional da Prefeitura Municipal, por meio do prefeito José Falcão da Silva, e da Secretaria de Turismo, liderada por Itaracy Pedra Branca, foi fundamental para a concretização da primeira edição. Com o sucesso imediato, o festival se consolidou e, apesar das dificuldades financeiras, continuou a ser realizado, ampliando sua importância no cenário cultural da cidade e do estado. Com o crescimento do público e a demanda por espaços maiores, o evento migrou de locais, passando pelo Ginásio de Esportes do Feira Tênis Clube, Teatro Margarida Ribeiro, Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA), e, finalmente, estabelecendo-se na UEFS.

O festival, ao longo dessas cinco décadas, recebeu e homenageou grandes nomes do repente nordestino, como Zé Vicente da Paraíba, Ivanildo Vila Nova, Antônio Queiroz, João de Almeida, Zé de Lima, entre muitos outros. A cidade, que presenciou o evento se consolidar, também teve a participação de grandes talentos locais, como João Ramos e Bule-Bule, que se destacaram nas competições e se sagraram campeões em diversas edições. Caboquinho e Dadinho, os idealizadores, foram duas vezes campeões do festival, mas após seu falecimento e com a saúde debilitada de João Ramos, Feira de Santana não tem mais representado sua cidade nas edições mais recentes.

Com a chegada do 50º aniversário, o Festival de Violeiros do Nordeste se firma não apenas como um evento de grande relevância cultural para a cidade de Feira de Santana, mas como um símbolo da resistência e da preservação da cultura popular nordestina. O festival segue sendo um ponto de encontro de artistas, repentistas e apreciadores da música regional, celebrando a arte e a tradição que foram plantadas há quase 50 anos por uma dupla visionária, que entendeu a importância de dar voz e palco a um gênero musical tão significativo para o povo nordestino.


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