Hamas apela à comunidade internacional por fim da “guerra da fome” em Gaza

Movimento palestino critica plano israelense de conquista da Faixa de Gaza e exige pressão global para cessar ofensiva.
Movimento palestino critica plano israelense de conquista da Faixa de Gaza e exige pressão global para cessar ofensiva.

Na terça-feira (06/05/2025), o Hamas declarou que não vê mais sentido em seguir com as negociações por cessar-fogo na Faixa de Gaza e pediu à comunidade internacional que pressione Israel a interromper a ofensiva militar no território palestino. A declaração ocorreu um dia após o governo israelense anunciar uma nova campanha com previsão de conquista total de Gaza e deslocamento massivo da população civil.

Bassem Naïm, integrante do gabinete político do Hamas, afirmou que não há viabilidade para tratativas enquanto persistirem ações militares e bloqueios. “Não há sentido em iniciar negociações, nem em examinar novas propostas de cessar-fogo enquanto se continuam a guerra da fome e a guerra de extermínio na Faixa de Gaza”, declarou. O dirigente também exigiu que a comunidade internacional pressione o governo israelense a cessar “os crimes da fome, da sede e os assassinatos”.

Na segunda-feira (05/05/2025), o general israelense Effi Defrin detalhou o plano de ofensiva militar que inclui um ataque de grande escala e a retirada de civis das áreas de combate. A proposta foi criticada por autoridades internacionais e organizações humanitárias.

A França condenou o plano, considerando-o incompatível com o direito humanitário. O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, destacou que a ação viola normas internacionais. O secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou estar alarmado com a proposta. A China também expressou preocupação e pediu a implementação efetiva de acordos de cessar-fogo por todas as partes.

Desde o início de março, a Faixa de Gaza está sob bloqueio israelense e enfrenta grave crise humanitária. A região abriga cerca de 2,4 milhões de habitantes, a maioria dos quais já foi deslocada ao menos uma vez desde o início do conflito. Segundo a defesa civil palestina, bombardeios ao amanhecer na terça-feira (06/05/2025) resultaram em três mortes, incluindo a de uma criança.

O exército israelense retomou sua ofensiva em 18 de março, após dois meses de trégua. A justificativa do governo de Benjamin Netanyahu é a derrota do Hamas e a libertação de reféns sequestrados em 7 de outubro de 2023. Naquele dia, 1.218 pessoas morreram em território israelense e 251 foram sequestradas, das quais 58 permanecem em Gaza e 34 foram declaradas mortas. O Hamas também mantém restos mortais de um soldado israelense morto em 2014.

Protestos ocorreram em Jerusalém na segunda-feira (05/05/2025), com centenas de israelenses se manifestando contra o plano militar. Os atos coincidiram com a abertura de sessão no parlamento. Manifestantes criticaram o governo e pediram o fim das operações militares que impactam civis.

O comando militar israelense afirmou que há uma janela de oportunidade para negociação sobre os reféns até o fim da visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Oriente Médio, programada para ocorrer entre os dias 13 e 16 de maio.

*Com informações da RFI.


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