O cineasta baiano Lula Oliveira lança, neste mês de maio de 2025, o primeiro longa-metragem ficcional de sua carreira, marcando 30 anos de atuação no cinema brasileiro. O filme, intitulado “A Matriarca”, entra em cartaz nas salas de cinema da capital baiana a partir do dia 29 de maio, consolidando uma trajetória iniciada em 1995, com uma produção independente e exibição improvisada no Pelourinho, em Salvador.
A produção integra o circuito comercial de distribuição e representa um marco na filmografia do diretor, que ao longo de três décadas desenvolveu obras autorais no campo da ficção, documentário, videoinstalação e experimentalismo. O lançamento ocorre em um momento simbólico para o realizador, que iniciou suas atividades com uma câmera VHS e produções de baixo orçamento.
Lula Oliveira estreou no circuito profissional com o filme “Na Terra do Sol”, que abordou os últimos sobreviventes da Guerra de Canudos. Antes disso, realizou o curta “Morrão!”, um documentário-ficção que tratou da violência policial, exibido de forma alternativa no centro histórico da capital baiana. Segundo o diretor, “transformar trauma em filme foi meu primeiro grande ato político como realizador”.
Ao longo de sua carreira, o cineasta participou ativamente de espaços institucionais de formulação de políticas públicas, como a Secretaria do Audiovisual no segundo mandato do governo Dilma Rousseff. Essa experiência contribuiu para ampliar sua compreensão sobre o papel do audiovisual enquanto política de cultura e instrumento de acesso, formação e memória.
Entre as obras que compõem sua filmografia destacam-se os títulos “Fronteira do Invisível”, “Perto do Fogo” e “Horizonte Vertical”, que abordam temas relacionados à vida urbana, territórios, religiosidade e dinâmicas sociais invisibilizadas. Para Lula, o cinema deve ser compreendido como bem público, e sua função vai além da produção, incorporando educação, exibição, distribuição e acessibilidade.
Com 52 anos, Lula afirma manter o mesmo impulso criativo do início da carreira e define sua relação com o cinema como “uma escolha de fé”. Segundo ele, os filmes permanecem com o realizador ao longo de toda a vida, influenciando também sua atuação como educador e militante por políticas culturais.
A estreia de “A Matriarca” simboliza não apenas uma conquista pessoal, mas também o fortalecimento do audiovisual baiano no circuito nacional, contribuindo para ampliar a diversidade de narrativas no cinema brasileiro. O filme será exibido inicialmente em Salvador, com previsão de circulação em outras capitais e mostras especializadas.
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